Chrysler Cordoba 1979

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Um pouco sobre a história do modelo

O Chrysler Cordoba era um coupé de luxo, intermediário, vendido pela Chrysler Corporation na América do Norte no período compreendido entre 1975 e 1983. Ele foi o primeiro modelo da companhia produzido especificamente para o mercado de luxo e o primeiro veículo da marca Chrysler que era menor do que os chamados “full size”.

No começo dos anos 60, quando outras marcas de luxo cresciam e ofereciam modelos menores, tais como o Mercury Comet e o Buick Skylark, a Chrysler declarou enfática e publicamente que nunca haveria um Chrysler menor.
O nome Cordoba foi usado em 1970 em uma versão especial de um Chrysler Newport hardtop ( 2 e 4 portas) . Este modelo grande, ou “full size” como chamam os americanos, era um “carro de luxo em edição limitada desenhada para apresentar você à Chrysler” e consistia de um exclusivo Córdoba pintado de dourado com rodas que combinavam, calotas e molduras laterais em vinil.
O modelo era um V8 de 6.28 litros, alimentado por dois carburadores de corpo duplo que geravam 290 hp. Direção hidráulica e pneus com faixa branca também equipavam esse modelo.

O Córdoba da foto acima é um modelo 1979, de primeira geração. Podia ser equipado com três motores diferentes: três V8 de 5.2, 5.9 ou 6.6 litros. A transmissão é automática de 3 marchas. Medindo 5.470 mm possui um entreeixos de 2.900 mm – quase 3 metros de entreeixos!! 1,96 metros de largura  e 1,34 metros de altura.

O Córdoba das fotos

O carro aqui fotografado pertence ao Sr. Giovani, militar do Exército e meu vizinho. Quando vi esse carro pela primeira vez parado na rua perto da minha casa, eu literalmente fiquei babando ao ver esse carrão americano em tão perfeito estado de conservação.
Logo que o vi, pensei na possibilidade de escrever algo sobre ele, ou pelo menos fotografá-lo de perto e ver como é essa relíquia por dentro.
Munido de minha câmera fotográfica e de uma cara de pau sem tamanho, fui até a casa do meu vizinho. Apresentei-me, contei que sou um apaixonado por carros adoro e carros antigos, em especial os da década de 50 a 70.
Pedi não só para fotografar o modelo, mas se fosse possível também gostaria de dirigi-lo. Fiquei muito surpreso quando ele disse sim “podemos fotografar o carro…. e  você pode dar uma volta nele”. Quero aproveitar esse post para publicamente agradecer ao Giovani, dono dessa maravilha sobre rodas tão bem conservada.

Enquanto nos dirigíamos ao “set” escolhido para as fotos – a Praça dos Cristais, em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília –  ele me contou um pouco da história do seu Cordoba. Essa história certamente renderá um outro post.
Entre outros fatos ele me disse que comprou esse carro por uns cinco mil reais, mais ou menos e estava todo “detonado”. Foram mais de cinco anos de um árduo trabalho e muitos reais investidos, inclusive com a compra de peças vindas do exterior, para deixar o Cordoba como vocês, meus leitores, veem nas fotos.
O único carro desse porte que eu já havia andado como passageiro, havia sido um Landau 1983.

Esse Cordoba é incrível. A perfeição do acabamento – mesmo para o ano de 1979, os detalhes, itens de conforto, a maciez ao rodar e itens de conveniência que deixam nossos carros mais modernos no chinelo.

Fico encantado quando vejo esse baita carro dobrando a esquina e entrando na rua da minha casa. Ao passar pelo quebra-molas, aquele balançar suave, bem típico das “banheironas” americanas.
Sentado no confortável banco do passageiro que mais parece uma poltrona de tão macio, penso “que capô mais comprido!”. É um capô enorme na frente, e outro enorme atras. Porta-malas de fazer inveja.
Estranhamente, e talvez seja algo comum aos carros daquela época, o espaço para os passageiros de tras não chega a ser tão generoso quanto faz-se supor pelos seus 5,47 metros de comprimeto e quase 3 metros de entreeixos. Em contrapartida, o banco traseiro é de uma maciez de fazer inveja em passageiros de Azera, Fusion, Accord, etc.
Como se pode notar, esse carro é um típico americano da década de 70: grande, pois mede mais de 5 metros, largo (1,96m), pesado (1.800kg), e cheio de cromados.
Esse carro é de uma imponência compatível com o seu motor V8. Enquanto nos dirigíamos para a Praça dos Cristais, eu reparava em cada detalhe desse carro.

O painel é típico dos carros daquela época: curtinho em profundidade; o pára-brisa está logo ali na frente. Mas o material que o recobre…. é outra historia. Não é de plástico como se vê na totalidade dos modelos de hoje. Parece até um material acolchoado, que tem espuma por baixo. É macio, agradável ao toque. E nesse modelo em particular, o interior é todo em tom caramelo. O painel é completíssimo: velocímetro, conta-giros, marcador de temperatura, alternador e um outro que não reparei se é pressão do óleo ou a temperatura do óleo do motor.
Tudo nesse carro funciona: o ar-condicionado original de fábrica, o rádio FM stéreo, o piloto-automático, tudo. Ah, e claro, o ajuste dos bancos do motorista.

Acreditem: esse modelo 1979 era equipado com ajuste elétrico do banco do motorista , já naquela época. Que carro nacional tem esse luxo no século XXI? Nenhum. Encontra-se nos mexicanos Ford Fusion e no coreano Azera. A faixa central do volante, de aro fino, e uma faixa no painel recebem apliques de madeira assim como todo o quadro de instrumentos é emoldurado por esse mesmo aplique, que, se não for madeira de verdade, imita-a muito bem.

Detalhe dos controles para ajuste
dos retrovisores externos: ajuste elétrico.

Ao Volante dessa máquina

Eu nem sei por onde começar a minha narrativa. Antes de assumir o volante desse V8 eu o olho por fora, observando cada detalhe! Dos pára-choques aos pneus de faixa branca, passando pela imensa grade do motor com um símbolo em cima dele até a parte traseira, perto do bocal de abastecimento que tem uma advertência: “Unleaded gasoline only”, que quer dizer “somente gasolina sem chumbo”

Sento-me ao volante (que também tem ajuste de altura), ajusto o banco para uma posição confortável; certifico-me que a alavanca do câmbio automático que fica na coluna de direção está na posição P e então piso no freio e dou a partida. Nesse momento senti-me como um menino que ganha um presente. Na partida, o big block dá uma espécie de chacoalhada no carro, que balança, e o V oitão entra em funcionamento suave. Quando eu acelero ele não sobe de giro imediatamente mas o faz de maneira gradual.
É certo que os câmbios automáticos do século passado tinham lá suas limitações e não operavam de maneira suave como o fazem hoje,  como por exemplo, do meu Honda Civic.
Confesso que tive uma certa dificuldade para colocar o câmbio em D. Ele oferece sim uma certa resistência. Ao passar de P para R, um pequeno tranco e outro quando se engata D. A partir daí é soltar o freio e curtir essa máquina.
A direção hidráulica é mais leve que de qualquer outro carro moderno que eu dirigi, exceto a do Bravo quando se aciona o sistema “City”. O V8 funcionando e colocando suas quase 2 toneladas em movimento é incrível. Uma aceleração suave e constante. A velocidade cresce rápido mas ele não é arisco como o Azera V6. Ao passar em um quebra mola, a longa frente balança, e ao se fazer uma curva a carroceria inclina bastante. A despeito do pouco espaço no banco traseiro, o conforto lá é generoso, pois os bancos são de uma macies  sem igual. Enquanto eu tirava uma onda com o carro do meu vizinho, era impossível não chamar a atenção. Todo e qualquer carro que passava por mim me acompanhava com o pescoço. O olhar de admiração era incrível. Senti-me uma estrela. Fiquei imaginando como devia ser viajar com esse carro nas estradas americanas, de asfalto liso e bem cuidado.
O carro das fotos com certeza aguenta uma viagem. O problema maior que eu vejo é bancar a sede que ele tem por gasolina, que não deve ser pouca. Afinal é um V8 com mais de 5 litros de capacidade cúbica.
Meu pequeno e prazeroso test drive está acabando. Afinal, não é bom abusar da boa vontade do Giovani.
A seguir, uma sequência de fotos desse belíssimo modelo!

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Sobre lcnoliveira

Um motorista comum mas muito interessado no universo automotivo.
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