Fiat Bravo – Absolute

No decorrer da última semana de junho, tive o prazer de experimentar o novo Fiat Bravo, na versão Absolute.
Esta versão equipada com os novos motores E-torq 1.8 16V, com 130 cv quando abastecido com gasolina e 132cv com álcool, faz do Bravo um dos melhores carros  da Fiat que eu já dirigi.
O modelo que experimentei ao longo de uma semana é equipado com o câmbio manual automatizado Dualogic.

Faço questão de frisar que é um câmbio manual automatizado porque muita gente ainda confunde achando que o Dualogic é um câmbio automático. E não é.

Detalhe para o pequeno subwoofer no porta-malas.

Observem logo acima do puxador a pequena 'luminária' - facilitador na hora de abrir as portas durante a noite, além de tornar o interior mais aconchegante

O Fiat Bravo é sem dúvida um carro bonito. Particularmente prefiro os sedans e peruas, mas o Bravo é um hatch muito bonito. Comparando os dados de sua ficha-técnica percebe-se que ele é praticamente do tamanho de um Honda Civic. Apenas alguns poucos centímetros menor.
A versão que eu experimentei só está abaixo da T-Jet. Dotado de bancos de couro –  tendo os traseiros o encaixe isofix para cadeirinhas de bebês, vidros, travas e retrovisores elétricos, computador de bordo e o elegante teto-solar em duas seções – mas sendo apenas a primeira móvel, o Bravo é um carro muito confortável. O silêncio a bordo é muito bom. O som tem uma qualidade muito boa, afinal, são seis alto-falantes e mais um pequeno subwoofer no porta-malas. Este, diga-se de passagem tem uma boa capacidade, e ganchos para amarrar a carga para que esta não fique rolando de um lado para o outro dentro do porta-malas.

Detalhe no painel que imita fibra de carbono: um ar de esportividade

O Bravo tem toques de requinte. O painel tem detalhes que imitam fibra de carbono. Junto às maçanetas cromadas existem pequenas luzes na cor laranja logo acima destas que as iluminam, o que torna fácil localizar os puxadores quando está escuro. Essa mesma luz em tons laranja contorna a alavanca do câmbio deixando o ambiente muito bonito.
O material usado nos revestimentos das portas e no painel é agradável ao toque. Também pudera, afinal, essa versão que experimentei, segundo o site da Fiat, custa algo próximo de R$ 75.000,00. Não é pouco dinheiro. Por esse valor tem-se inúmeros outros carros no mercado.

Conforto interno

Nem saberia por onde começar. São tantos mimos a bordo que garantem o conforto que fica difícil enumerá-los.  Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o silêncio de rodagem. Com vidros e teto fechados o silêncio é incrível. Pode-se conversar num tom “civilizado” dentro do carro, e se você preferir ouvir o som (de ótima qualidade) não precisa usá-lo a plenos auto-falantes. Uma das coisas que contribuem para o silêncio a bordo – e que a Honda deveria copiar da Fiat – é uma espécie de manta que existe sob os pára-lamas traseiros. Essa manta absorve bem aquele irritante barulho de pedras arremessadas pelos pneus nos pára-lamas, especialmente quando se passa por um trecho de asfalto que está sendo recapeado.
Mas como nem tudo é perfeito, senti falta do comando de abertura interna do porta-malas, coisa que até Palio tem! Ah, detalhe: o Ford Ka e Fiesta possuem esse comando elétrico. Para alguns isso é mero detalhe. Para mim, é um item de conveniência a mais.

Os bancos de couro proporcionam conforto e seguram bem o corpo nas curvas

Os bancos de couro (ao menos os dianteiros)  também ajudam no conforto. Na minha opinião são firmes sem serem duros em demasia.  Tive a sensação de ser abraçado pelos bancos. O volante possui ajuste de altura e profundidade que aliado ao ajuste de altura do banco do motorista fica fácil encontrar uma boa posição para dirigir. Para mim, que sou baixinho, achei esses recursos excelentes, pois nem precisei quebrar muito a cabeça para me acomodar bem ao volante do Bravo. Aliás, o banco do passageiro também é dotado de ajuste de altura. Mas como nem tudo é perfeito, por R$ 75.000,00 – que é o que esse carro custa – senti falta de uma regulagem para o apoio lombar. Claro, ele poderia ter aquela função existente no Polo que vira a lente do espelho retrovisor para baixo automaticamente quando se engata a ré.
Devidamente acomodado ao volante do Bravo fica muito fácil conduzir o veículo. Os comandos de vidros e retrovisores elétricos estão bem ao alcance da mão esquerda, logo ali, no puxador da porta…. estica-se o braço esquerdo e já são encontrados os comandos dos retrovisores e dos vidros dianteiros e traseiros. Uma observação: todos os vidoros são do tipo “one touch”. E pelo que diz o manual do proprietário possuem sensor anti-esmagamento. Só como observação, não fiz um teste empírico!!!

No volante também concentram-se os comados do som e as borboletas para troca de marcha. Não tive tempo hábil para aprender tudo. Mas sei que é possível configurar os sitema de áudio do Bravo com o seu celular bluetooth.  Enquanto se está dirigindo é possível, dentre outros comandos: aumentar ou diminuir o volume do som, trocar as estações de rádio ou faixa do CD, atender uma ligação do telefone celular,etc.

Detalhe da saída do ar-condicionado para os passageiros do banco de tras.

O conforto só não me pareceu melhor no banco traseiro, pois o espaço a tras é acanhado. Mas os passageiros de tras não ficam abandonados: eles têm saída de ar-condicionado, comando dos vidros traseiros também elétricos, cintos retráteis de 3 pontos para os  3 ocupantes – embora o terceiro não fique muito bem acomodado. Se você levar apenas dois ocupantes a tras, eles dispõem de uma espécie de mesinha com suporte para 2 copos que fica no encosto do banco traseiro. Excelente. Ah, claro…. no encosto dos bancos dianteiros ficam também os porta-revistas. Esqueci-me de mencionar que os passageiros do banco de tras também têm uma seção do teto-solar, ainda que seja fixo.
O ar-condicionado é digital, automático e dual zone. Refrigera muito bem e até rápido. Detalhe: existe um compartimento refrigerado logo abaixo do apóia-braço. Muito bom para manter aquela latinha de energético bem geladinha quando estiver viajando.

Devidamente acomodado ao volante controla-se quase tudo sem grande esforço. A direção possui um sistema chamado ‘dual drive’, que a torna ainda mais leve em manobras. É possível virar o volante com um dedo sem grande esforço.  Os comandos do computador de bordo seguem o padrão da linha Fiat: junto da alavanca de comando dos limpadores de pára-brisa. Além do que, certas funções como consumo médio, distância percorrida e tempo rodado também aparecem na grande tela do sistema multimídia, além de aparecerem também no display existente no painel.

o sistema multimídia reúne informações do GPS, algumas informações do computador de bordo, além das estações de rádio e faixas do CD.

Observem que nessa foto os faróis estão acesos, o volante está virado para o lado esquerdo e o farol de neblina do mesmo lado também está aceso.

Aliás, o computador de bordo possui dois registros: A e B. Dessa forma é possível ter dois registros de consumo médio, de distância percorrida e de tempo gasto no percurso. Se não me engano, apenas a marcação A tem a indicação de autonomia.
De dentro do carro também é possível ajustar aumtomaticamente a altura dos fachos dos faróis. São 4 posições pré-determinadas. Muito bom também é o sistema “cornering“.  Esse sistema – quando se está em velocidade reduzida – aciona de maneira automática o farol de neblina para o lado que o volante está virado.

O Bravo possui também controle de cruzeiro ou o popular piloto automático. Só não gostei de um irritante bip que toca toda vez que – no carro testado – atinge-se 80 km/h. Mas a Fiat poderia ter melhor posicionado os controles do piloto automático. Eles estão em uma alavanca logo abaixo da alavanca de seta e faróis, e seu manuseio não é dos mais intuitivos. Além do que ele não te indica no painel se está acionado ou não.

Detalhe para a pequena e discreta indicação em verde de que o piloto automático está ligado ou desligado, mas não nos mostra se está ou não acionado naquele instante

Apenas um pequeno e discreto ícone se acende no painel, no quadro do velocímetro indicando que o equipamento está ligado e pronto para o uso, mas não te indica se está ou não acionado naquele momento. Para efeito de comparação, o meu Honda Civic EX 2004, possui duas indicações do cruise control: uma delas é no próprio botão que liga ou desliga o sistema, um pequeno led que torna o botão iluminado; a outra indicação é no painel de instrumentos que me mostra sempre que o piloto automático está ativo naquele momento, mostrando em luzes verde a indicação “cruise control”.

A suspensão também ajuda no conforto. É um carro firme sem ser duro demais. É um carro ótimo de dirigir, não fosse a lerdeza do câmbio automatizado. Fazer curvas com o Bravo é um prazer.
Aliás, as borboletas para troca de marcha junto ao volante são um convite a uma tocada mais esportiva. Pena que as mudanças de marcha não aconteçam de maneira tão rápida quanto eu gostaria.

Rodas aro 17" com pneus de perfil baixo: ótima dirigibilidade, boa pegada em curvas. Ótimo!

E o ronco desse motor? Acima de 4 mil RPM e com o câmbio configurado para trocas manuais ele fica um pouco mais ágil, e o som do motor é empolgante. Parece um motor feito para se usar sempre acima dos 4.500 RPM.
As belas rodas de aro 17 polegadas calçam pneus 215/45 (como visto no detalhe). Pneus largos e de perfil baixo são um convite a uma tocada mais esportiva. Esse conjunto só não é muito bom quando se pega alguma irregularidade no asfalto, coisa que no Brasil é pra lá de comum, a impressão que eu tenho é que se pegar um buraco um pouco grande e já era o conjunto roda/pneu. As rodas são bonitas, mas são muito pouco práticas na hora da limpeza. As espécies de raios tornam o processo de lavagem demorado. Essas rodas são tão ruins de lavar quanto as do meu carro, o meu Civic.

O sistema Dualogic

Para quem está cansado de trocar marchas no pára-e-anda do nosso trânsito, o sistema automatizado da Fiat, VW e GM pode ser um bom paliativo. Mas na minha opinião não chega aos pés de um sistema automático de verdade. Talvez no novíssimo Jeta 2.0 TSI que possui um câmbio automatizado com dupla embreagem a sensação pode ser diferente.
Acostumado a dirigir meu Civic automático, logo no início da condução do Bravo estranhei uma espécie de soluço que o carro dava toda vez que as marchas eram trocadas. Até mesmo quem não tem muito conhecimento de carros percebe essa falha do sistema. Tem-se a impressão que o carro vai parar. É o sistema cortando a aceleração, acionando a embreagem, engatando a próxima marcha e reacelerando. Tal qual numa troca manual. É como se fosse aquele motorista menos habilidoso trocando de marchas num carro com câmbio convencional.
Em um carro automático de verdade as trocas de marcha são mais lineares, o carro não dá tanto solavanco.
O que fiz para contornar esse inconveniente? Deixava o câmbio em modo manual e controlava eu mesmo o momento da troca. Mas confesso que passado alguns Km pega-se o jeito. O bom é que pode-se trocar de marcha sem usar o pé esquerdo. E se você tenta engatar uma marcha em uma situação não favorável, o carro logo te avisa “manobra não permitida”. Isso te impede de engatar uma marcha mais alta numa rotação muito baixa…. por exemplo, tentar engatar uma quinta com o carro a 30 km/h. O sistema não deixa. Ponto para ele.
Com o câmbio no modo manual, sentado naquele banco justinho, trocando de marchas pelas aletas atras do volante, senti-me como no jogo Gran Turismo, ouvindo  o belo ronco do motor aos 5 mil RPM.

Segurança

air-bag na coluna "A"

O Bravo oferece os dispositivos de segurança encontrados nos carros da sua faixa de preço. Além do air-bag no volante e para o passageiro, ele oferece mais dois dispositivos: um na coluna “A” e outro na coluna central. Ele possui freios a disco nas quatro rodas com o sistema ABS. E no caso do Bravo eu notei uma evolução em relação ao meu carro. No caso do meu antigo Civic, percebe-se a atuação do ABS, pois ele faz um barulho característico.

air-bag na coluna central

No Bravo não: o sistema é silencioso e eficiente. E detalhe: acima de 50 km/h, quando se aciona o pedal de freio com força,  o pisca-alerta é acionado de maneira automática, ao mesmo passo que o câmbio reduz a marcha para primeira, mesmo quando se utiliza o modo manual.

Contribuem para a segurança, além desses dispositivos, os repetidores de seta na lateral do carro. Mas faltaram os mesmos repetidores nos retrovisores.

repetidor das setas na lateral do veículo

Ora, até mesmo carros chineses bem mais baratos têm oferecido esse “mimo”. Ainda mais em se tratando de um carro de R$ 75.000,00. Era mais do que obrigação da Fiat. Além é claro do quesito segurança.

Um detalhe negativo, ao menos do meu ponto de vista é a visibilidade traseira proporcionada pelo retrovisor interno: é deficiente. Se no banco traseiro

A visão para tras proporcionada pelo espelho retrovisor interno é deficiente. Talvez pela inclinação da tampa do porta-malas aliada ao pequeno vidro, a visibilidade fica comprometida

acomodarem-se 3 passageiros, creio que o retrovisor interno perde a função.
Não sei se vale o que custa, afinal, são 75 mil reais, que ao câmbio de hoje (US$ 1.00 = R$ 1,60 aprox.) daria aproximadamente US$ 46,800.00. Dinheiro suficiente para comprar carro muito mais equipado e com motor muito mais potente….. nos Estados Unidos, é claro. Só para se ter uma idéia, acessem o site da Ford americana e vejam o preço do Fusion: o mais caro – a versão híbrida – custa US$ 29,395.00.
Tudo bem! Não curte um sedan? Acha que é carro de tiozão? Que tal um modelo esporte, para tirar bastante onda? Pois por 23 mil dólares você leva um Mustang V6. Que tal andar com os cabelos e o rosto ao vento? Já pensou? É tirar muita onda. Pois lá nos EUA um belo Mustang conversível sai por apenas 28 mil e cem dólares. E te garanto que já vem todo equipado. Agora me pergunto: por que aqui no Brasil temos de pagar tão caro por carros tão simples? Com isso eu ainda não me conformei.
Mas hoje em dia já temos um diferencial. Para mim, que fui adolescente na década de oitenta, os carros mais caros eram o Opala 4.1 Diplomata e a Caravan, de mesmo motor. Naquela época era fácil conhecer os modelos. Pois só tínhamos: Santana, Quantum, (luxo) Passat Pointer (até 1989), Gol GTS (e as demais versões ), Monza, Opala, Caravan, Chevette, Fiat Uno, Prêmio, Elba, Tempra…. e por aí vai.
Hoje já temos carros com injeção eletrônica! Ufa, até que enfim. E estão se tornando cada vez mais comum carros que oferecem air-bag e ABS. Nesse ponto, palmas para os chineses. E a VW ainda tem coragem de oferecer o Voyage 1.0 peladinho por quase 40 mil. Isso é um absurdo. Mas enfim, essa é uma outra discussão para um outro post.
Para finalizar esta matéria, o consumo: compatível com o motor. No período que fiquei com o carro o computador de bordo registrou média de 9,5 km/l. Em trechos de velocidade constante, por exemplo, em quinta marcha e a setenta km/h constantes o computador chegou a registrar 20,0 km/l de consumo instantâneo. Não me surpreenderia se o computador de bordo acusasse mais de 12 km/litro (com gasolina) na estrada.

Quem sabe eu não consiga novamente o carro para um teste de estrada?!!!

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Sobre lcnoliveira

Um motorista comum mas muito interessado no universo automotivo.
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