Consumo de combustível – II

Dando continuidade ao tópico sobre consumo de combustível….

Bom… talvez você, assim como eu, sempre sonhou em ter aquele carro zerinho, com cheirinho de novo! Você, o primeiro dono.

Escolheu tudo:  a cor, os opcionais e até a placa.

Depois de anos com aquele Monza SL/E a álcool ano 1989 ou com aquele Santana 2 portas 1992, tudo o que você mais quer é pegar um carrinho “zero bala” com cheirinho de novo. Como esses carros são “beberrões”, a álcool, e não fazem mais do que 7 km/l na cidade e nem mais do que 10 km/l na estrada, você resolveu pegar um carro mil. Você tá cansado de carro gastador e agora quer um carro com motor 1000, econômico e cheio de opcionais. Até porque, aquele Monza 89 ou o Santana 92 tinham no máximo o chamado “trio elétrico”. Não…. não é um caminhão tocando Axé Music! No final da década de 80 e inicio da década de 90 o chamado trio elétrico era composto de vidros, travas e antena elétrica.

Para quem não sabe, houve um tempo em que as antenas eram telescópicas. Para que você pudesse ouvir o rádio você tinha de puxá-las. Ficavam enormes.

E era um luxo um carro dotado de antena elétrica. Você ligava o rádio e a antena subia. Era a maior onda!

Mas depois desse mini flash-back, voltemos à sua nova aquisição. O seu mais novo carro mil!

Bem, você pesquisou preços, equipamentos e resolveu comprar um completinho: com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas das portas elétricos. Um show de carro. Cheirinho de novo e a família está vibrando com a mais nova aquisição. E depois de tanto pesquisar, você comprou um carro que tem computador de bordo, pois ele te poupa da trabalheira que é ficar completando o tanque e fazendo cálculos de quantos quilômetros você rodou com um litro de combustível.

Esse computador de bordo é uma maravilha: mede consumo médio, instantâneo, quilometragem percorrida e até a autonomia proporcionada pelo combustível que está no tanque. Ah, claro… o seu carro novo é flex: aceita tanto gasolina quanto álcool em qualquer proporção.

Maravilha, carro novo, tanque cheio de álcool. Vamos dar umas voltas!

E então, você feliz da vida sai todo-todo pra andar com seu carro novo. Mas qual é a sua surpresa quando você observa o computador de bordo e vê que as marcas que ele está te apresentando não são muito melhores do que o seu velho e bom Monza SL/E 89 ou aquele Santanta 92 apresentavam. E olha que o Monza e o Santana tinham motores muito maiores, com muito mais potência do que seu novo carro mil.

Por que será que isso acontece? Bom, o carro mil, por ter motor menor e menos potência disponível, precisa compensar isso com uma relação de câmbio mais curta. No popular, você precisa “esgoelar” o carro para que ele apresente uma agilidade e uma potência satisfatórias. E isso faz com que o carro apresente um consumo de combustível maior. Ainda mais com ar-condicionado. Quanto mais coisa agregada ao motor – como o compressor do ar-condicionado e a bomba da direção hidráulica – mais força ele tem de fazer para girar.

O câmbio de um carro influencia diretamente no consumo: quanto mais curto, mais gastador; mais longo o câmbio, o carro tende a ser mais econômico, porém, com menos agilidade.

E que papo é esse de câmbio curto, câmbio longo? Como saber isso? Você pode olhar essa informação no manual do proprietário, na parte relativa às especificações técnicas. Você pode encontrar uma informação do tipo “1ª – 4,53:1; 2ª – 3,80:1”; quanto maior o número – por exemplo o 4,53 – mais curta é a relação de marcha. Mas isso você nota na prática. Quando você engata a primeira marcha perceba que o seu carro não desenvolve uma velocidade muito alta, no máximo 40 km/h; já quando você passa para a segunda marcha, o carro consegue atingir uma velocidade maior, ao mesmo tempo em que a rotação cai.

Quanto ao consumo do seu carro, algumas coisas nós, motoristas, podemos fazer, outras não têm como. Está além da nossa capacidade técnica ou mesmo são inviáveis do ponto de vista financeiro. Por exemplo, trocar o câmbio por um outro com relações mais longas. Fica muito caro e não compensa.

Então, tirando a parte técnica, como as relações de marcha, o que nós podemos fazer?

Seu modo de dirigir: procure dirigir de maneira suave, sem esticar demais as marchas. Se o seu carro tiver conta-giros, procure trocar de marcha no máximo por volta de 3mil RPM. Se você estiver no plano, pode trocar por volta de 2000 a 2500 RPM sem prejuízos ao motor. Acelere suave e gradativamente.

Se você vê que logo a frente tem um quebra-molas e terá de frear, então não exagere na velocidade. Será combustível desperdiçado. Você acelerou e em menos de 200 metros terá de frear para passar o obstáculo;

Ao se aproximar de um semáforo ou de um quebra-molas, por exemplo, tire o pé do acelerador e deixe o carro engatado ir perdendo gradativamente a velocidade até chegar ao semáforo ou quebra-molas. Dessa forma você poupa também os freios;

Os cuidados com o carro: mantenha a manutenção do seu carro em dia: velas de ignição em boas condições, alinhamento de direção e filtro de ar sempre limpo. Geralmente o filtro de ar é trocado a cada 15 ou 20 mil km. Mas esse prazo pode ser reduzido se você trafega em regiões de muita poeira.

Mantenha o seu carro com peças originais. Saiba que uma simples troca de rodas e pneus pode afetar diretamente o consumo. Seu carro veio equipado de fábrica com rodas aro 14 e pneus na medida 175/70 ou 175/65 R 14. Mas você não resistiu e resolveu trocar as rodas aro 14 por outras aro 15 ou ainda aro 17. Quando você troca as rodas por outras de aro maior, os pneus acompanham. Então, para equipar essas novas rodas aro 15 ou 17, os pneus terão medidas como 195/55 ou 195/50 R15 ou 225/45 R17. Esse número 175, 195, 205 ou 225 é a largura do pneu medida em milímetros. Então, é claro, o pneu de aro 17 acaba tendo uma largura maior do que o seu original aro 14.

Se por um lado é bom – pois aumenta a área de contado com o solo propiciando uma melhor aderência, e consequentemente maior estabilidade ao carro – por outro aumenta o consumo, pois aumenta o arrasto aerodinâmico (pneus com seção maior) e aumenta o peso do conjunto roda/pneu.

A geografia da sua cidade: essa parte é meio óbvia; quanto mais morro a cidade tem, maior será o consumo porque você terá de acelerar mais seu carro e usar marchas mais fortes (como a primeira e segunda marchas) para vencer as ladeiras. Uma cidade mais plana como Brasília, por exemplo, favorece o consumo de combustível dos carros. Uma cidade com trânsito mais intenso não é a melhor coisa para a relação quilômetros/litro. Aquele trânsito do tipo pára-e-anda, com sucessivos engates de 1ª e 2ª, é um terror para o consumo!

Então, meu amigo, minha amiga motorista…. para manter um consumo baixo, pé leve no acelerador e carro com a manutenção sempre em dia!

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Sobre lcnoliveira

Um motorista comum mas muito interessado no universo automotivo.
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