Consumo de combustível – fatores que influenciam

Consumo de combustível – os fatores que o influenciam

Desde o final dos anos 80 e início dos 90 do século XX quando os carros mil começaram a se proliferar por nossas ruas que o tópico “consumo de combustível” nunca esteve tão em alta.Mesmo hoje em dia, com aumentos bem menos frequentes do que no início da década de 90 – naquela época tínhamos aumentos dos preços dos combustíveis pelo menos uma vez por semana, ter um carro econômico é o objetivo de boa parte dos motoristas.Ainda mais hoje em dia – em que tudo tende a ser muito mais “verde” – nós queremos não só carros mais econômicos como também carros menos poluentes. Mas não vou me deter aqui na questão ambiental.Nós, motoristas comuns, quando vamos comprar um carro – seja zero quilômetro, semi-novo ou um já usadinho – geralmente uma das primeiras perguntas que fazemos ao vendedor é “quantos quilômetros esse carro faz por litro?” ou “esse carro é muito gastador?”E você, sabe o que pode influenciar no consumo de combustível do seu carro? É sobre isso que vamos falar agora! É óbvio, que é o tamanho do motor influencia diretamente no consumo do carro, pois, via de regra, quanto maior o motor maior é consumo de combustível. Mas isso é uma regra? Claro que não. Então, em tese um carro com motor 1.0 – ou seja, um motor com 1.000 cm³ de capacidade volumétrica – será mais econômico do que um mesmo carro com motor 1.6? Sim, em tese sim. E por que? Ora, porque necessita-se de menos mistura ar-combustível para encher um motor 1000 do que para encher um motor 1600.Mas não é apenas o tamanho do motor que influencia no consumo. Lá pelos anos de 1989, 1990 quando surgiram os primeiros carros 1000 (o Fiat Uno Mille) o objetivo na época era oferecer um carro barato (de até 7 mil dólares) e econômico. Lembro-me de quando a Fiat lançou o Uno Mille. Era um verdadeiro pé-de-boi. Um carrinho com pneus tão finos quanto os de uma carroça puxada a cavalo, somente duas portas (os 4 portas ainda não eram bem recebidos no mercado), câmbio de apenas 4 marchas (um câmbio de 5 marchas era opcional, se não me falha a memória) e pasmem… retrovisor externo apenas do lado esquerdo. Tudo em nome da redução de preço. E olha que mesmo usando um motor de 1000 cm cúbicos seu consumo não era excepcional, além é claro do desempenho ridículo. Depois do Uno Mille muitos outros vieram: Escort Hobby, Gol 1000 e Chevete Júnior vieram logo depois. Alguém se lembra do Chevette Júnior? Com motor 1.6 já não era lá essas coisas, com motor 1000 então, deve ter sido um fiasco. E foi. Tanto foi que não ficou no mercado por muito tempo. Mas isso é outro assunto para outro post! Pois bem, hoje em dia a maioria dos nossos carros, inclusive os 1000, vem equipada com ar-condicionado, direção hidráulica e outros tantos equipamentos elétricos. Tanto o ar-condicionado quanto a direção hidráulica estão ligados diretamente ao motor. E isso rouba potência; consequentemente aumenta o consumo de combustível. Pois o motor além de fazer força para girar o conjunto de rodas precisa girar também a bomba da direção hidráulica e o compressor do ar-condicionado. Mas esses dois equipamentos – antes disponíveis somente em carros de alto padrão – hoje em dia são praticamente de série em todos os carros. Se não de série, pelo menos são oferecidos como itens opcionais. E cá pra nós, hoje em dia comprar um carro sem direção hidráulica e/ou sem ar-condicionado…. Sem chance, não é verdade? É como dizem, o conforto não tem preço, tem custo. E o custo nós pagamos na forma de consumo de combustível. Eu mesmo não abro mão desses dois equipamentos de conforto. Então pode ser que você queira perguntar: “ah… se o ar-condicionado aumenta o consumo então eu devo andar com os vidros abertos?”. Na minha modesta opinião de motorista comum, não mesmo! Para você, motorista de grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, o ar-condicionado é quase um ítem de segurança, pois te permite rodar com os vidros fechados preservando sua segurança. Além do que, os vidros fechados aliviam o ruído que vem de fora. Na estrada, então, o uso do ar-condicionado leva ainda mais vantagens sobre os vidros abertos. Lembro-me de ter lido uma matéria em uma certa publicação que testes realizados comprovaram que rodar na estrada com velocidade de 110 km/h com as janelas abertas causavam um aumento de cerca de 15 a 20% no consumo, ao passo que o uso do ar-condicionado aumentava em apenas 10%. Ponto para o ar-condicionado. Além do que ninguém merece viajar com as janelas abertas, se descabelando todo, papel voando na cara… poeira, insetos…. Deus me livre e guarde! Como sou um motorista comum, com apenas um certo conhecimento do mundo do automóvel, escrevendo para outros motoristas comuns talvez com um pouco menos de conhecimento – ou talvez até nenhum, vou explicar resumidamente como um motor funciona. O motor a gasolina (ou a álcool) para funcionar precisa de combustível (é óbvio), oxigênio e fogo! Este último vem na forma de faísca, de uma centelha produzida pela bobina de ignição do  seu automóvel. Simploriamente falando, um motor é composto de um bloco (ferro fundido ou alumínio – nos motores mais modernos) que possui os cilindros e dentro desses cilindros vão os pistões, que são os responsáveis pela compressão da mistura ar-combustível. Os pistões por sua vez estão ligados ao virabrequim ou árvore de manivelas, e esta (a árvore de manivelas) ao volante do motor.Hoje em dia nossos carros são dotados de injeção eletrônica e todos têm ignição eletrônica. Geralmente é um módulo único, eletrônico, responsável por comandar a injeção de combustível e a produção de faísca. Estas são produzidas pelas velas de ignição! Muito provavelmente você já ouviu falar delas.

Talvez ao levar seu carro ao mecânico reclamando que ele está bebendo muito – o carro, não o mecânico – o mecânico tenha dito “olha, as velas estão sujas e gastas, é preciso trocar!”

Então como acontece a coisa toda lá dentro do motor? Quando você gira a chave e as luzes no painel acendem, você geralmente escuta um “ZZZZZ” vindo da parte de tras do carro. Já percebeu isso? Se não, preste atenção na próxima partida do motor. Esse barulhinho que vem lá de tras é a bomba elétrica de combustível pressurizando todo o sistema. A injeção eletrônica precisa de uma alta pressão para funcionar. Então quando você dá a partida uma coisa incrível e complexa começa a acontecer dentro do motor. A bomba de combustível manda gasolina ou álcool sob alta pressão para os bicos injetores. Nesse momento, o volante do motor começou a girar movimentando a árvore de manivelas, que movimenta os pistões.

Paralelamente a isso, o comando de válvulas também aciona as válvulas de admissão. Vamos pegar um cilindro apenas! No momento da partida, o pistão desce, a
válvula de admissão se abre (ou as válvulas quando for carro 16V) e o bico injetor – bom, vai ficar meio redundante o que vou escrever, mas não vejo solução
– injeta o combustível pulverizado na câmara de combustão. Lembre-se que quando o pistão desce, ele puxa ar para dentro do cilindro.As válvulas de admissão se fecham e o pistão começa a subir comprimindo a mistura de ar e combustível. Em um determinado ponto de subida, comandado pela
central da injeção eletrônica as bobinas de ignição mandam uma corrente de mais de 10 mil volts para as velas. Essa corrente percorre a vela e salta entre os
eletrodos produzindo uma faísca. Essa faísca, é claro, inflama aquela mistura comprimida de ar e combustível. Esta explode e empurra o pistão para baixo
gerando o movimento de todo o conjunto. Numa fase posterior os gases resultantes dessa explosão são expelidos pelas válvulas de escapamento.
Mas exitem outras coisas no seu carro: suspensão, rodas, pneus, freios. E tudo isso trabalha de forma conjunta. Não adianta o motor do seu carro estar 100% se a suspensão está desalinhada, ou se você anda com os pneus com a pressão abaixo da indicada pelo fabricante, ou mesmo se está usando pneus fora das especificações originais, ou se por exemplo, o freio de estacionamento está mal regulado prendendo o carro.
Então se você estiver desconfiando que seu carro está gastando além do normal, comece vendo coisas simples. Leve-o ao seu mecânico de confiança e peça-lhe que cheque as velas de ignição e o filtro de ar do seu carro.  Os nossos carros atuais têm uma série de sensores espalhados pelo motor. Cada um responsável por uma certa função. Sensor de temperatura do motor, sensor de rotação, sonda lambda (responsável por medir o teor de oxigênio que sai do escape), entre vários outros.  Se o seu mecânico for mesmo competente ele irá usar um aparelhinho chamado “scanner” para verificar o funcionamento de todos os dispositivos do seu carro. Pois se um desses sensores estiver com defeito, ele pode mandar informação equivocada para a central de injeção e consequentemente seu carro pode ou gastar mais combustível ou ter perda de potência.

Verificados os itens principais do motor veja como está o alinhamento de direção. Em casos mais graves você sentirá a direção puxando para um dos lados. Nesse ponto eu não vou entrar em detalhes técnicos – até porque não domino, mas as rodas do seu carro podem estar convergentes demais (apontas para dentro) ou muito divergentes (abertas demais) e isso fará com que seu carro faça mais força para rodar. Não deixe de observar também a calibragem dos pneus.  Pneus murchos também afetam diretamente o consumo do seu carro.

Como esse é um tema muito extenso, não vou esgotá-lo num post apenas! Até mesmo porque não pretendo cansar a sua leitura.

Luciano de Oliveira

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Sobre lcnoliveira

Um motorista comum mas muito interessado no universo automotivo.
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2 respostas para Consumo de combustível – fatores que influenciam

  1. Leandro Ramos disse:

    Oi! Eu sou”outros motoristas comuns talvez com um pouco menos de conhecimento – ou talvez até nenhum” rs Muito esclarecedor seu texto. Foi o texto Mecautomotivo mais poético que já vi. Nota-se a paixão. Olha comprei um Ford KA 2003, sem ar, sem direção, sem vidro, sem alarme e sem trava (quase igual ao Mille q vc descreveu), por enquanto está melhor q a van q eu pegava todo dia. De um tempo para cá, ele anda meio “cansado”, ele não era assim, “beberrão”, Quando ligo, ele dá uma falhada. É ou não é triste ver seu parceiro nessa situação. Vc pode me ajudar? Parabéns pelo Blog

    • lcnoliveira disse:

      Acho que você foi meu primeiro visitante! Que bom que você gostou do blog.
      Quanto ao fato de ele estar beberrão, você pode seguir algumas daquelas dicas que eu postei levar a um mecânico para checar alguns itens como velas, cabos de velas. A propósito, quando foi a última vez que você levou o seu carro a uma oficina para fazer uma revisão?
      De tempos em tempos é necessário inclusive mandar fazer uma regulagem nas válvulas.
      Obrigado pela sua visita!

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