Renault Logan Expression 1.6

Visão geral

Depois da minha experiência com o Peugeot 1.2, minha próxima avaliação é o Renault Logan Expression 1.6.

Por seu amplo espaço interno, excelente porta-malas, baixo custo de manutenção, motor razoável e consumo de combustível compatível além de baixo custo do seguro, o Logan 1.6 pode ser a opção de compra de vários motorista, como eu.

Com três filhos adultos, minhas viagens, ainda que curtas, acabam resultando em alguma bagagem. Nesse ponto, um carro com porta-malas amplo é essencial. Por todos os fatores que citei acima, eu cogitei o Logan como uma opção de compra. Por isso resolvi alugar um por um fim de semana para poder melhor avaliar o carro, já que os ditos test drives oferecidos pelas concessionárias pouco ajudam na escolha.

IMG_9036Se você é daquele tipo de consumidor que não se importa muito com detalhes de acabamento e acha que beleza é subjetivo, e está mais preocupado com custo de aquisição e manutenção, eu diria a você que o Logan é um forte candidato a ocupar a sua garagem, pois no mercado de seminovos ele é um carro que se encontra numa faixa de preço que varia dos 32 a 38 mil reais. Mas honestamente, na minha opinião não recomendo a compra de um Logan zero km. Zero km, seu preço pode ultrapassar a casa dos 50 mil reais. No site da Renault, um modelo como esse que aluguei – o Expression 1.6 com o Techo Pack sai por R$ 50.200,00. Honestamente, R$ 50.200,00 em um Logan? Não acho que valha a pena. Se você fizer uma análise detalhada do acabamento verá que é deprimente. Plásticos duros, com rebarbas, mal encaixados, ou seja, um carro pobre. Na minha modesta opinião o Logan em termos de acabamento é comparável aos IMG_9068carros da JAC. Acho que um J3 não perde em nada para o Logan, salvo no quesito “confiabilidade da marca”. Até o som produzido pelas portas ao fechar é diferente, passando a impressão de coisas soltas.

O Logan traz algumas comodidades: radio com conexão bluetooth, entrada auxiliar e USB. Vidros elétricos, só nas portas dianteiras; controle do retrovisor externo é manual, mas em compensação ele nos oferece ajuste de altura do banco e da coluna de direção. Lembrando que o ajuste da coluna de direção é só em altura, não em profundidade. Ele traz também controle do som junto ao volante, que é muito útil, já que você pode  parear seu celular com IMG_9042IMG_9059o sistema de som do carro e atender ligações sem tirar as mãos do volante causando distrações e risco de acidente. De comodidade, a Expression traz também abertura interna do porta-malas e da tampa do bocal de abastecimento.

Se você quer disfarçar a aparência pobre do Logan, opte pela versão Dynamique, que custa a partir de R$ 54.000,00. Essa versão traz a mais um útil limitador e controlador de velocidade, retrovisores externos com controles elétricos e uma central multimídia. Ainda não vi de perto essa versão, mas creio que o acabamento não seja tão diferente assim.

Conforto

O Logan, creio eu, foi construído para ser um carro prático, não confortável. A fábrica tenta amenizar essa sensação de pobreza nos oferecendo alguns equipamentos extras, como o já IMG_9048IMG_9051citado limitador/controlador de velocidade, porém só na versão Dynamique.

A versão por mim avaliada, por se tratar de carro de locadora, tinha o básico da versão: vidros elétricos dianteiros, travas elétricas das portas, computador de bordo e o rádio com conexão bluetooth. Creio eu que a central multimídia deve fazer parte de um pacote extra.

O isolamento acústico não é dos melhores; quando pisamos a fundo no acelerador e o giro do motor sobe o ruído invade a cabine. Porém, em condução mais “comportada” o nível de ruído é aceitável.

Uma vez sentado no banco do motorista você dispõe de ajuste de altura do banco, de altura da coluna de direção e claro, dos ajustes de distância e inclinação do assento. O volante tem boa pega, mas na minha opinião poderia ser ligeiramente menor. Honestamente, não gostei do conforto proporcionado pelo banco do motorista. Pareceu-me faltar algum apoio extra na região lombar, e o encosto de cabeça fica muito longe. Para efeitos de comparação, é nítida a diferença de conforto entre um Logan e um Gran Siena, por exemplo.

Desempenho

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O Logan 1.6 8V possui motor 4 cilindros com 98 cv de potência e 14,5 kgfm de torque com gasolina. Abastecido com o derivado da cana esses números sobem para 106 cv e 15,5 kgfm na ordem. Valores nada expressivos. Se compararmos ao Versa e ao Gran Siena 1.6, que oferecem motores 16 válvulas, o Versa nos oferece 111 cv e o Gran Siena 115 cv.

Nas saídas de semáforo o Logan arranca rápido e logo atinge a velocidade da via (a maioria aqui em Brasília com velocidade de 60 km/h). Gostei do câmbio. Os engates não se comparam aos dos carros da VW, mas eles são bons. Não encontrei maiores problemas.

Para tirar a prova dos nove, fiz um teste rodoviário com o carro. Partindo de Brasília, peguei uma estrada secundária com destino a Cristalina. Esse trecho não tem grandes aclives, mas em compensação está em um estado crítico de conservação, com várias crateras que me obrigaram, várias vezes, parar o carro por completo, engatar a primeira marcha e passar pelo buraco. Consequentemente o consumo de combustível nesse trecho não foi muito animador, ficando na casa dos 13 km/litro com gasolina. Nesse mesmo trecho, o Versa SV 1.6 que avaliei recentemente ficou em 10 km/l no álcool. Só para ilustrar, como esse teste foi feito a noite, o ar-condicionado estava desligado.

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Aproveitando um trecho reto e longo resolvi ver até onde o Logan chegaria. Pisei fundo no acelerador em quinta marcha, até o chão, como se diz. Os giros sobem lentamente e  a velocidade vai crescendo. Depois de algum tempo o ponteiro do velocímetro marcava os 180 km/h. Óbvio que essa não era a velocidade real do carro, dado ao erro dos velocímetros. Acredito que o carro estivesse entre 165 e 170 km/h. Como numa situação real dificilmente viajamos a essa velocidade….

Em resumo, em uma situação normal de condução, com velocidade de cruzeiro entre 110 e 120 km/h o Logan é muito bom. E para minha surpresa, até que nessa condição o ruído dentro do carro era aceitável para os padrões do carro.

 Conforto em viagem

O Logan peca em um ponto: osIMG_9054 bancos. Não sei dizer se é uma característica IMG_9052dessa versão, um pouco mais barata, ou se é de toda a linha Logan/Sandero; mas o fato é que os bancos dianteiros parecem oferecer pouco apoio na região da lombar, o que torna cansativa a viagem. Entre Brasília e Cristalina levei aproximadamente 1h e 40 min; ao passar o volante para meu filho – que me ajudou no teste – sentia as costas doendo. Quando chegamos a Brasília, meu filho também relatou esse desconforto, o que não ocorreu, por exemplo, no teste com o Nissan Versa. Já no banco traseiro, meus acompanhantes não reclamaram muito.

Considerações gerais

IMG_9065O Logan é um carro de baixo custo de aquisição, baixo custo de manutenção, incluindo aí o seguro. É econômico em termos de consumo de combustível. Talvez não seja tão econômico quanto o Nissan Versa, mas ainda assim econômico. É relativamente confortável e tem muito espaço interno e excelente porta-malas. Pelo seu formato mais quadrado, mesmo ocupantes mais altos no banco traseiro não encostam a cabeça no teto. Ponto positivo para o Logan. Como já foi dito, beleza é muito relativo, mas o Logan não é mais aquele carro feio como o da primeira geração. Mas em contrapartida, continua tão mal acabado como aquele. Os encaixes entre as peças de plásticos são mal feitos, as rebarbas são aparentes e podem até machucar. O carro está bonito mas não esconde a sua proposta de baixo custo. Considerando isso, acho 50 mil reais um preço absurdo para esse carro. Honestamente, não fosse o fator “confiança”, eu optaria por comprar um JAC, já que o acabamento dessas marcas são equivalentes.

Um ponto que achei negativo diz respeito ao manual do proprietário; diferente dos carros que tive até o momento, o manual do Logan não traz a relação dos serviços a serem realizados em cada quilometragem.  Se tem, eu passei batido. Ou seja, se você não quer fazer uso das concessionárias para as revisões, não vai saber o que tem de ser checado/trocado em cada quilometragem. Lamentável.

 

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Novo Peugeot 208 com motor 1.2

IMG_8999Um dos lançamentos mais falados no último mês é o do Peugeot 208 1.2 como motor de 3 cilindros. E não é para menos, pois a Peugeot o anuncia como nada mais nada menos o carro mais econômico do Brasil em sua categoria.

Seu lançamento, no mínimo, lançou algumas dúvidas no ar já que ele veio substituir o modelo com motor 1.5. Será que o motor com apenas 1.199 cm³ seria bom o suficiente para substituir o anterior, que possui 1.449 cm³?

IMG_9000.JPGMas ao comparar-se os dados das fichas-técnicas observa-se que as perdas de potência e torque não foram tão grandes assim. No site Carros na Web é possível encontrar as fichas-técnicas dos dois modelos; foi de lá que tirei os números. O modelo com motor 1.5 possui 89 cv a 5.500 RPM quando abastecido com gasolina e  13,5 kgfm de torque a 3.000 RPM. Já o motor 1.2, usando também a gasolina como combustível oferece 84 cv a 5.750 RPM e 12,2 kgfm  a 2.750 RPM. Não foram perdas tão significativas e para compensar, o torque máximo aparece em rotações mais baixas.

Mas por que resolvi escrever sobre esse carro? Porque tive a oportunidade de ficar um fim de semana com esse modelo, que me foi cedido a título de empréstimo pela concessionária Champion Peugeot, aqui de Brasília. É um serviço diferenciado que a concessionária oferece a seus clientes em potencial. Aliás, esse é um serviço que outras concessionárias deveriam copiar. Convenhamos, um pequeno test drive feito em uns poucos quarteirões não dá para avaliar carro algum.

Assim, com o carro por um fim de semana todo, é possível avaliar melhor se o carro serve ou não para a família. No meu caso, particularmente, concluí que o 208 atende sim às necessidades da minha família. Apesar de pequeno, é confortável e bem acabado. Sem falar que o design dos carros da Peugeot é muito bonito. É assim desde o 206.

O IMG_8980modelo que me foi emprestado é o Allure. Não sou muito familiar com as designações de versões da Peugeot, mas se não me engano, essa versão é a intermediária, pois fica acima da Active e abaixo da Griffé.

Mas mesmo sendo a intermediária, a unidade por mim avaliada já era muito bem equipada, vindo inclusive com o charmoso teto panorâmico.

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Painel central – central multimídia com tela de 7 polegadas e ar-condicionado digital dual zone.

 Em termos de equipamentos de série, o 208 Allure faz inveja em muitos carros ditos de categoria superior. A unidade que me foi emprestada vinha de série com faróis e lanternas de neblina, vidros elétricos nas quatro portas, retrovisores externos com controle elétrico, central multimídia com uma boa tela (acho que é de 7 polegadas), limitador e controlador de velocidade, entradas auxiliar e USB, ar-condicionado digital dual zone, e contava ainda com um muito útil repetidor digital do velocímetro.

O carro possui computador de bordo com duas marcações. Além de ter essas informações no painel do carro você também pode tê-las na tela da central multimídia. E você ainda pode baixar um aplicativo específico da Peugeot e ter essas mesmas informações na tela do seu smartphone!

Como o carro foi entregue sem o manual do proprietário, não tomei conhecimento de

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controles elétricos de vidros e retrovisores

todos os equipamentos. Notei, por exemplo, que na alavanca que aciona a seta e o farol alto existe um botão que não consegui descobrir para que serve, pois mesmo pressionando-o várias vezes não notei nenhuma modificação no painel; nenhuma luz se acendeu ou apagou.

Impressões ao dirigir

Em matéria anterior, sobre o Nissan Versa, eu havia dito que beleza é relativa. O que é feio para mim, pode não o ser para outras pessoas. Mas creio que em se tratando do Peugeot 208 não há grandes controvérsias no quesito beleza. Ele é um carrinho bonito e charmoso. E por dentro é muito bem acabado. Por exemplo, ele é bem mais agradável internamente do que os carros Logan/Sandero, que mesmo em suas versões Dynamique apresentam plásticos de aparência pior do que os apresentados no Peugeot 208. E tanto Logan/Sandero quanto Peugeot 208 estão na mesma faixa de preço. Ah, sem falar que o 208 possui tanto encosto de cabeça quanto cinto de 3 pontos para todos os ocupantes do banco traseiro, coisa que a dupla Logan/Sandero não oferece, nem na versão Dynamique.

IMG_8989Não é muito difícil achar uma boa posição para dirigir neste carro. O banco possui regulagem de altura, mas a regulagem do encosto não é do tipo milimétrica, mas sim, por posições pré-definidas. Em contrapartida o volante – que é pequeno e de excelente empunhadura – possui regulagens de altura e de profundidade. Mas como nem tudo são flores, os assentos dianteiros eu os achei muito estreitos. Bom, pra contextualizar, eu sou baixinho e magro, então para mim, os bancos me acomodaram muito bem. Mas se você é do tipo “parrudo” que tem mais de 1,80 m  e pesa mais de 90 kg…..pode não se sentir tão confortável no carro. Aí é uma questão de ir conhecer o carro e ver como você se sente dentro dele. Pode ser uma impressão errada minha.

IMG_9006.JPGQuando abre-se a porta do Peugeot 208 logo de cara nota-se o bom nível de acabamento, mesmo com a quantidade enorme de plástico usada. Mesmo não sendo um plástico emborrachado, a aparência geral é muito boa. O painel é completo e possui tudo que nós, motoristas comuns, precisamos no dia-a-dia: velocímetro e conta-giros são analógicos, mas o primeiro possui um repetidor digital no centro do painel, o que ajuda muito; marcadores de temperatura e de nível de combustível são digitais, mas esqueça aquelas barrinhas “sem vergonha” que alguns modelos trazem; os do Peugeot são bonitos e casam muito bem com o painel, que tem uma ótima iluminação, e parece ainda mais bonito a noite.

O volante é outro destaque. É pequeno e tem a base achatada, tornando a condução do veículo ainda mais agradável. Detalhe: a direção é elétrica, levíssima em manobras mas firme em velocidades mais elevadas. Ele traz ainda os controles do rádio e te permite atender ao telefone.

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Encosto de cabeça e cinto de 3 pontos para os três ocupantes do banco traseiro.

Uma vez encontrada a posição ideal de condução tem-se uma sensação de conforto dentro do carro. A visibilidade dianteira e para os lados é ótima, mas para trás é limitada; nada de mais se você estiver apensas com dois passageiros, mas um terceiro passageiro no meio já complicaria sua visão. Mas também não nos esqueçamos de que estamos avaliando um carro compacto e tipicamente urbano. Essa é sua vocação.

 

 O ar-condicionado, cujos controles são digitais, é bem eficiente. Talvez por conta da cabine pequena, mas no período em que fiquei com o carro não tive nada a reclamar. Era só selecionar a temperatura desejada e rapidinho a cabine estava em uma temperatura bem agradável.

Na unidade avaliada eu senti falta de um GPS. E acabei descobrindo que nem todos IMG_9001.JPGaparelhos celulares permitem o chamado “espelhamento”. Esse recurso permite que você reproduza a tela do seu celular na tela da central multimídia,  dessa forma você pode utilizar – por exemplo – o Waze que você tem instalado no telefone. Mas isso seria capaz de me fazer mudar de ideia com relação à compra do carro? De jeito nenhum.

Em condução

Ao dar-se a partida no carro nota-se de cara um barulhinho diferente e característico: são os 3 cilindros do carro, ao invés de 4.

O carro possui um isolamento acústico muito bom internamente, tanto que mal se ouve o ruído do carro em marcha lenta. De fora do carro é um pouco diferente. O barulhinho dos 3 cilindros funcionando é bem diferente do que estamos habituados. É um ruído bem característico.

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Teto panorâmico: contribui para o conforto geral, mas eu preferia um teto solar.

Mas uma vez devidamente acomodado no banco do motorista, vamos dar a partida! Gira-se a chave até as luzes do painel acenderem-se. Os ponteiros do velocímetro e conta giros vão até o final do curso indicando que estão em perfeito funcionamento. Os marcadores de temperatura e combustível também iluminam-se até o final para depois voltarem à posição original, indicando as corretas marcações de combustível e temperatura. Gira-se a chave e o motor prontamente responde e logo permanece em sua rotação de marcha lenta, que pude deduzir ficar pouca coisa acima das 900 RPM.

A embreagem é macia e o câmbio, mesmo sendo bom, não é como o de um VW, que possui engates curtos e precisos. De qualquer forma, os engates desse Peugeot 208 são bem melhores do que aqueles proporcionados por um Fiat, por exemplo. Os engates do 208 sãoIMG_8992.JPG justos, mas se eu fosse você não tentaria fazer trocas de marchas muito rápidas. Volto a lembrar que essa versão 1.2 não tem a menor pretensão esportiva, o que pode justificar esse comportamento do câmbio.

Mesmo sendo um motorzinho 1.2, eu me surpreendi com esse carro. Habituado a dirigir um Civic 1.8 com 140 cv no meu dia a dia, fiquei surpreso (positivamente) com esse pequeno carro e seus 84 cavalos de potência e 12,2 kgfm de torque. Em todas as situações que enfrentei no trânsito urbano – e com ar-condicionado ligado – esse carro me proporcionou arrancadas rápidas de modo que rapidamente eu alcançasse a velocidade da via.

Um ponto no qual o Peugeot 208 merece elogio: ele traz tanto  o limitador de velocidade

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Teto panorâmico – sem dúvida um diferencial.

quanto o controlador de velocidade. Explico. O limitador de velocidade impede que você ultrapasse uma velocidade pré-programada por mais que você acelere. Já o controlador de velocidade – comumente chamado de piloto automático – mantém a velocidade escolhida pelo motorista independentemente de subida ou descida, só desarmando quando se pisa no freio ou na embreagem.

Só não gostei de como se aciona esse dispositivo. Ele fica em uma pequena alavanca junto ao volante, do lado esquerdo e logo abaixo dos comandos da seta. Como não dispunha do manual, tive de

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Pneus 195/60 R 15

aprender na prática a manuseá-lo. Mas verdade seja dita, uma vez aprendido como funciona não é difícil operá-lo. E cá pra nós, com nossas ruas cada vez mais recheadas de radares, um equipamento desses é muito importante. Até porque, o pequeno 208 com seu motor 1.2 atinge rapidamente velocidades  próximas de 80 km/h ou mesmo superiores. E uma outra coisa: o ronco do motor. É bem gostosinho o ronco que o motor proporciona acima de 3500 RPM.

Um acessório interessante que esse modelo traz é um indicador de troca de marchas. Pude notar que ele atua com rotações próximas de 3 mil RPM. Toda vez que o motor se aproxima dessa rotação ele mostra, por exemplo ↑2 – indicando que você deve subir para a segunda marcha, ou ↓3 – que você deve reduzir para a terceira marcha; tudo isso para contribuir com os melhores índices de consumo. Muito útil sim senhor!

Mas e o consumo de combustível?

Ele é anunciado como o carro mais econômico do Brasil em sua categoria. Vai ser uma briga interessante, já que o Citroën C3 compartilha o mesmo motor. Aí será uma questão de acerto fino de um modelo ou de outro. Eu ainda aposto no 208 por conta da menor área frontal. O C3 me parece maior e mais pesado, ao passo que o 208 parece ter uma melhor aerodinâmica.

No período que estive com o carro pude notar que ele é realmente bem econômico. Uma coisa é certa: o ar-condicionado foi utilizado em 100% do tempo. E nesse período ele passou por 3 motoristas diferentes, com 3 estilos de condução diferentes.  E ainda assim, o computador de bordo do Peugeot 208 marcava 13,5 km/l em uso urbano. Infelizmente não tive tempo de avaliá-lo em percurso rodoviário. Se você procura um carro econômico, ágil, confortável e bonito…. considere o 208 como uma opção.

IMG_9028Como eu disse anteriormente, o 208 é um carro compacto.  Embora homologado para 5 passageiros, não sei não…. um quinto passageiro pode ficar um tanto apertado. A foto ao lado serve para ilustrar. Nessa situação eu ajustei o banco do motorista totalmente à retaguarda e sentei-me logo atras. Eu tenho 1,63m de altura, portanto, sou bem pequeno. Mas observem que mesmo com o meu tamanho e o banco do motorista totalmente recuado não sobra muito espaço. Agora imaginem uma pessoa com 1,80m ou mais. Para um deslocamento urbano, tudo bem…. uma viagem curtinha, ainda vai…. 3 horas de viagem? Não. Alguém será sacrificado. Ou o motorista que sentirá um joelho em suas costas…  ou o passageiro de trás que ficará encolhido.

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Observe que nessa simulação ao lado, o 208 conseguiria carregar 3 malas: 1 mala média (63 cm x 38 cm x 20 cm) e duas pequenas (50 cm x 34 cm x 16 cm). Pelos meus cálculos ele conseguiria carregar 5 malas: 1 média e 4 pequenas.

Ou seja, para aquela viagem de fim de semana ou feriado prolongado o 208 atende perfeitamente. Mas se você e sua família são daquele tipo que quando viajam levam tudo que precisam e mais um pouco, talvez aí o 208 possa não te atender. Volto a lembrar: não se esqueça que o perfil do 208 é o de um carro urbano compacto para 4 pessoas, que pode atender para pequenas viagens. Para isso ele é excelente.

Resumo da ópera

O Peugeot 208 é um carrinho muito bonito, confortável, bem equipado, econômico e esperto. É ótimo dirigi-lo. Nas arrancadas de semáforo, o torque em baixa ajuda alcançar rapidamente a velocidade da via. A quantidade de equipamentos de série contribui para o conforto interno. A qualidade do som é boa. A estabilidade eu julgo compatível, uma vez que a carroceria não inclina demasiadamente em curvas acentuadas. Ele traz de série air bags,  vidros elétricos nas quatro portas, retrovisores externos elétricos, rodas de liga leve, faróis e lanternas de neblina, central multimídia, computador de bordo, ABS; e na unidade avaliada ainda trazia repetidores de setas nos retrovisores e o charmoso teto panorâmico, dentre outros itens. Para saber tudo que esse modelo oferece de série e opcional visite o site da Peugeot.

Ou seja, dentre os carros compactos oferecidos hoje no mercado, o Peugeot 208 é sim uma ótima opção. Só não se esqueça de cotar o seguro e ver se ele vale a pena para o seu perfil de consumidor. No mais é um ótimo carro. E se você tem interesse neste carro, veja se a concessionária Peugeot da sua cidade oferece essa modalidade de empréstimo por um fim de semana e conheça melhor o carro. Te garanto que você, assim como eu, ficará seduzido pelo modelo.

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Nissan Versa SV 1.6

IMG_8757Depois de um longo tempo de inatividade e falta de novidade, tive a oportunidade de testar um veículo novo: o Nissan Versa SV 1.6.

Como não sou um jornalista da área automobilística, nem sempre encontro alguém disposto a me ceder um carro para avaliação, e convenhamos, um test-drive oferecido pelas lojas não é o suficiente para conhecer bem o carro.

Assim sendo, eu resolvi alugar um Nissan Versa 1.6 para melhor conhecê-lo. Uma das razões pelas quais fiz isso é meu interesse particular no carro, já que estou em vias de me desfazer do meu belo Civic LXL 2010. Em tempos de gasolina cara e recursos escassos, quanto mais econômico, melhor.

E se você, assim como eu, não acha esse carro o máximo em beleza, pode acreditar, ele é muito funcional. Tem um excelente espaço interno, inclusive no banco de trás, um excelente porta-malas, tem boa visibilidade pra frente, trás e pros lados, e sua estabilidade eu a julgo como boa. Não é um Civic na vida, mas sua carroceria não inclina tanto em curvas como um Palio. É um carro honesto.

IMG_8759Depois da última reestilização os carros da Nissan ficaram muito semelhantes entre si.

O versa por exemplo, guarda uma certa semelhança com seu irmão maior, o Nissan Sentra. Podemos observar isso principalmente com as grade dianteira e os faróis.

Conforto e conveniência

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A versão por mim avaliada não dispunha de muitos itens de conforto e/ou conveniência. O que ele oferecia, creio eu, não estava muito além do que qualquer outro carro  em sua faixa de preço oferece.

E por falar em preço, no site oficial da Nissan, esse modelo parte de R$ 49.490,00. Não é exatamente uma pechincha…. mas que carro no Brasil o é?

O que eu gostei

nesse carro?? Bom, primeiro do espaço interno. Nem Civic, nem Corolla oferecem um espaço interno no banco traseiro como esse carro oferece. Para vocês terem uma ideia, com o banco do motorista e passageiro totalmente recuado para trás, ainda assim um eventual passageiro de 1,80m ou até mais consegue se acomodar bem no banco traseiro sem roçar os joelhos no banco da frente. E esse eventual passageiro de 1,80m também não raspa a cabeça no teto.

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Vidros trapeiros com acionamento manual. Forração interna da porta traseira em plástico rígido.

O sistema de som tem boa qualidade. Ele oferece conexão USB, auxiliar, além de te possibilitar reproduzir o áudio do seu celular via bluetooth. Isso é muito cômodo.

Ele possui controle de som no volante, além de nos possibilitar atender ao telefone; mas essa funcionalidade eu não testei. Apenas reproduzi o áudio do meu celular via bluetooth. Meu Civic 2010 não oferece essa comodidade. Senti falta de mais uma tomada de 12V, pois o Versa avaliado só dispunha de uma.

Gostei da posição de dirigir e da visibilidade proporcionada. Gostei dos comandos de áudio no volante, dos engates do câmbio e de sua macies. Gostei do espaço interno, principalmente no banco de trás. Um ponto que merece destaque é a direção elétrica: muito leve em manobras e firme em velocidades mais elevadas. É uma pena o volante ter regulagem apenas em altura, faltando em profundidade.

A cabine é relativamente silenciosa, isso se você não esticar demais as marchas. Outro dia fiz um test drive em um City LX 1.5 e achei o City bem mais ruidoso do que o Versa.

No geral é um carrinho bem confortável.

O que eu não gostei?

Bom, esse carro que eu avaliei não tinha cinto de 3 pontos para os 3 ocupantes do banco de trás nem o encosto para o eventual terceiro ocupante (carros mais antigos e mais baratos oferecem – como o Peugeot 307, o encosto traseiro não rebatia, os vidros traseiros eram acionados por manivela (oi???? em 2016?) , o ajuste elétrico dos retrovisores ficavam no painel e não nas portas – o que seria mais confortável; também não gostei do fato de os botões de vidros e travas elétricos não serem iluminados, apenas o botão do vidro elétrico na porta do motorista o é. Faltou também um botão para acionar a trava elétrica na porta do passageiro. Alguém não acostumado com o carro levará um certo tempo até conseguir destravar a porta do passageiro. Isso numa situação de pânico não é nada bom.

Também não gostei da velocidade do ventilador interno. As duas primeiras velocidades parecem não fazer efeito de tão lentas; a terceira ainda não é tão forte, e a quarta velocidade achei muito barulhenta e pouco eficiente.

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botão de acionamento dos retrovisores

 

Não gostei também de saber que lá fora – EUA e México – esse mesmo modelo é oferecido com câmbio CVT e controle de velocidade (o popular piloto automático) e aqui nem um, nem outro. Para mim, é um desrespeito com o consumidor brasileiro. Basta vocês acessarem a página da Nissan Brasileira e a Nissan Americana para verem a discrepância entre os modelos.

 

Faltou também à unidade avaliada o acionamento one-touch para subida de todos os vidros. No carro alugado essa funcionalidade só estava disponível para descida do vidro do lado do motorista.

Desempenho/economia

IMG_8782.JPGPor se tratar de um modelo 1.6 não esperei muito dele em desempenho. Mas devo assumir que me surpreendi com esse carrinho.

Na cidade ele arranca bem nos semáforos e atinge logo a velocidade permitida nas vias. Aqui em Brasília, a maior parte das vias tem velocidade máxima permitida de 60 km/h, e nesse ponto eu aprovei o Versa. Acelerou bem, e rapidinho chegava à velocidade máxima da via.

A cabine é relativamente silenciosa, ou seja, se você dirigi-lo sem grandes exigências, será um carro silencioso, mas….. se resolver esticar algumas marchas, pode esperar o ronco do motor invadindo a cabine. Eu, particularmente, gosto.

O engate do câmbio também é bom. Não chega a se comparar como o câmbio de um VW, mas também não é como dos Fiat ou GM. Não senti dificuldade para engatar marcha alguma. Julgo-o com engates fáceis e precisos.

Ah…. e o consumo? Olha…. eu achei ele econômico. Quando o retirei da locadora ele estava abastecido com álcool. E assim ficou até o final da avaliação. E posso dizer…. mesmo com álcool esse carro é econômico.

No trânsito urbano eu consegui média de 9,0 km/l. Pode não ser excelente, mas eu não dirigi o carro da maneira mais econômica possível.  Posso dizer que fui muito exigente com o carro: ar-condicionado ligado o tempo inteiro, arrancadas fortes e esticadas de marcha. Mas apesar disso o bom Versa conseguiu um bom consumo.

A próxima etapa do teste seria testá-lo em condução rodoviária. Escolhi uma estrada secundária que liga Brasília a Cristalina: BR 251/ Go 436. A BR 251 está boa, mas a Go-436… é mais buraco do que estrada. IMG_8755.JPGPor conta disso meu Versa não obteve números muito bons de consumo, apesar de estar com o ar-condicionado desligado.  O motivo? a enorme quantidade de vezes que tive de frear o carro, engatar primeira  e retomar tudo de novo. Isso não ajuda o consumo de carro algum.

Nessa primeira parte do teste  o consumo apresentado pelo computador de bordo não foi nada animador: 10,9 km/l com álcool e apenas 4 ocupantes (sem bagagem). A culpa do alto consumo certamente foi da estrada.

Já na volta, o caminho escolhido foi  a BR 040 que é pedagiada e está em melhor estado. Nessa rodovia foi possível conseguir melhores números de consumo de combustível, mesmo com o ar-condicionado ligado. Para vocês terem uma ideia, no trajeto de volta o bom Versa chegou a marcar em seu computador de bordo 11,8 km/l com álcool. Para quem possa achar que esse número não é muito bom, quero esclarecer que esse trecho da estrada é cheio de subidas, é pista simples na maior parte do tempo – o que dificulta as ultrapassagens, e quando temos de ultrapassar geralmente temos de usar 2ª/3ª e esticar as marchas.

Apesar dos 111 cv do motor – que parecem pouco – as ultrapassagens foram tranquilas; é claro que eu tive de reduzir para segunda ou terceira em certos momentos.  Ou seja, o Versa não é aquele carro com desempenho brilhante, mas te permite fazer viagens com relativo conforto. O erro apresentado pelo velocímetro em relação ao GPS não é grande  (menor por exemplo do que o apresentado pelo Fiesta que avaliei há alguns anos); observei no máximo 5 km/h de diferença.

As relações de marcha adotadas pelo carro não são as mais longas: a 11o km/h o conta-giros já está na casa dos 3 mil RPM.  Eu particularmente gostaria que esse carro tivesse uma sexta marcha do tipo overdrive, que me ofereceria menor rotação em velocidades de cruzeiro, dando-me consequentemente menor consumo de combustível em trajetos rodoviários.

Acabamento

O acabamento no Versa SV não é nada excepcional. As quatro portas tem forração de plástico rígido; o piso do porta-malas em contrapartida tem uma forração em carpete mais rígida; mas a tampa do porta-malas, expõe toda a chapa, fiação e cabos usados para abrir a tampa. Sinceramente, não entendo o porquê de tão pouca economia!

No geral o Versa SV é semelhante a outros modelos em se tratando de acabamento. Pelo menos não observei nenhuma rebarba de plástico no painel.

Um ponto que gostei foi o painel de instrumentos. Ele tem uma iluminação permanente em branco, e quando você liga os faróis ele diminui a intensidade ligeiramente.

O Versa SL possui um acabamento melhor. E tem uma versão que oferece bancos em couro, o que deixa o interior mais bonito e agradável.

Considerações gerais

IMG_8775A unidade avaliada é  a versão intermediária. O Versa oferece as versões S, SV e SL. Sendo a S a mais básica e a SL a mais completa. A motorização oferecida consiste da 1.0 com 3 cilindros e a 1.6 16V. As versões SV e SL oferecem o motor 1.6.

No SL, por exemplo, você encontrará um bom sistema multimídia, com tela touch-screen, câmera de ré, além de bancos em couro, painel das portas com melhor acabamento e ar-condicionado digital.

Se você precisa de um carro para deslocamento urbano exclusivamente, a versão com motor 1.0 que oferece potência próxima de 80 cv pode te atender. Mas o Versa não é um carro leve. De acordo com o manual do proprietário, a versão SV pesa em torno de 1.400 kg. Se você pretende pegar estrada, não tenha dúvida, fique com a versão 1.6.

IMG_8766No geral o Nissan Versa é um bom carro: confortável, espaçoso, econômico e com um bom espaço em seu porta-malas. Nele 4 adultos grandes viajarão com conforto.

E se você não quer se dar ao luxo de pagar 48 mil num carro desses, pode optar por um modelo seminovo. É possível achar um modelo 2013/2014, SL, por aproximadamente 32 a 35 mil reais.  Se você não liga para o “status” de rodar em um carro zero km, e quer um carro honesto eu te recomendo um Versa 1.6 usado.

Na minha opinião, o Versa é uma boa alternativa a modelos similares como o Gran Siena, GM Cobalt, Renault Logan e VW Voyage. O GM Cobalt sofreu uma reestilização que o deixou muito bonito, mas a GM está cobrando um preço muito alto por ele. Pasmem, a GM o está chamando de sedan “Premium” e cobrando até 70 mil reais pela versão mais equipada.  Simplesmente sem noção.

Como eu disse anteriormente, o Nissan Versa pode não ser um referencial em beleza automotiva. Certamente há outros modelos bem mais bonitos, mas eu duvido que algum outro modelo do mercado ofereça tanto espaço interno quanto o Versa oferece. E antes que você possa se perguntar,…. não, eu não estou recebendo dinheiro da Nissan para escrever isso. Quem me dera estivesse.

Para finalizar, é o seguinte…. se você precisa de um sedã compacto com bom porta-malas e excelente espaço interno, motor competente e confiável, 3 anos de garantia e econômico ainda por cima, e se você não liga para beleza – até porque beleza é relativa, eu te recomendo dar uma olhada no Nissan Versa. Certamente será uma boa aquisição.

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Honda Civic LXL 2010

Para mim, foi paixão a primeira vista. Ele parecia ter vindo diretamente do futuro para nossas ruas. Sei lá, 10, 15 anos a frente. Era o ano de 2006, e a Honda acabara de lançar mais uma geração do Civic, a 8ª mundial e a 3ª geração nacional.

Não tinha como eu não me apaixonar por aquele carro: frente bem inclinada, um pára-brisa  grande e inclinado, linha de cintura alta, pneus largos, uma ‘cara’ de mau…..e aqueles limpadores de pára-brisa de varredura oposta. Não tem como não gostar desse carro.

É claro que ele não é perfeito, afinal, nem tudo são flores! A começar pelo silêncio interno que não é dos melhores. Falta um computador de bordo, coisa que até  Palio 1.4 oferece.

Mas é certo que o painel do Civic, ou do New Civic como passou a ser chamado, é muito bonito deixando-o  mais ainda com o tal ar futurista. O contraste do digital com o analógico, no caso o conta-giros analógico com o velocímetro digital, dá um certo charme a esse painel, e, embora eu tenha visto essa mesma combinação em outros modelos de outras marcas, não me pareceu tão agradável.

No caso desse modelo em particular, o que aparece nas fotos e me inspirou a escrever essa matéria, posso falar com um bom conhecimento de causa, pois já estou com ele ha 3 meses. E nesse período eu pude reafirmar algumas virtudes do Civic, constatar a melhora em relação ao meu modelo anterior, que era um Civic EX 2004, e também perceber que algumas coisas no Civic não mudaram nada nem para melhor, nem para pior.

Acabamento

Essa versão – LXL – é equipada com bancos de couro em tom cinza. Combina com o restante do interior. O painel de instrumento é dividido: na parte de cima é um cinza escuro, da metade para baixo um cinza claro que harmoniza bem com o tom dos bancos.

teclas de acionamento dos vidros elétricos, ajuste do retrovisor e travamento ou destravamento das portas.

Como todo carro nacional, usa muito plástico. Se bem que alguns utilizados no painel e nos forros das portas são de textura agradável. Percebe-se que o encaixe das peças é bem feito; não há rebarbas como eu já observei em carros mais baratos. O fechar das portas é de uma suavidade incrível. Até dói quando algum passageiro mais desavisado fecha a porta com mais força.

A forração do porta-malas melhorou em relação ao modelo que eu possuía antes. Nesse LXL a tampa é forrada por dentro. Parece que esse cuidado não foi aplicado à versão LXL do modelo 2012 que está sendo testado pelo site BestCars, no quadro “Um mês ao volante”.

Interior e itens de conveniência

Como já foi dito é conhecido pelos proprietários de Civic, que o modelo carece de itens de conforto e conveniência. A Honda oferece o básico para a categoria.

O modelo é dotado de vidros elétricos nas quatro portas, com acionamento elétrico, mas

detalhe da borboleta para troca de marchas junto ao volante.

somente o do motorista é one touch; outra coisa que não combina é o fato de somente a tecla de acionamento do vidro do motorista ser iluminada. Isso a noite causa uma certa confusão. As travas elétricas das portas são acionadas ao rodar; quando se atinge aproximadamente 15, 16 km/h elas travam automaticamente.

Quando se coloca o câmbio em P, com o carro ainda ligado, e ao girar a chave no sentido anti-horário para retirá-la, as portas são destravadas automaticamente. Mas se invertemos a ordem, ou seja, desligarmos o carro e depois colocar o câmbio em P, as portas não são destravadas.

teclas de controle do som

Como já foi dito, falta computador de bordo. Inaceitável num carro que quando comprado zero quilômetro custa uns R$ 70.000,00. Mais inaceitável se você pensar que o Fiat Palio ou mesmo o Punto em sua versão de entrada de linha, oferecem o equipamento. Não que seja fundamental, mas eu diria que é “divertido” acompanhar o consumo instantâneo, médio, e em estrada, principalmente, ficar atento à autonomia. Ponto para a Fiat que oferece o equipamento em quase todos os carros da linha.

O Civic LXL traz de série controle de cruzeiro – que mantém a velocidade  programada – e

teclas de acionamento do “piloto automático”

controles do som no volante. Ah…. outra coisa que deixa ainda mais divertido dirigir esse carro são as borboletas para troca de marchas junto ao volante.

O encosto do banco traseiro é bipartido, mas não oferece a possibilidade de ser rebatido de dentro do carro. Para ter acesso a essa funcionalidade, só abrindo o porta-malas e puxando as alavancas. Não que isso seja um defeito grave, mas a Honda poderia ter pensado em colocar algum dispositivo que permitisse rebater o banco, de dentro do carro.

O Civic é dotado de alarme a distância, que, ao ser acionado, trava as portas mas não sobe os vidros. Ponto negativo para o Civic. Mas tem pontos positivos: com o alarme você pode destravar apenas a porta do motorista, as quatro de uma vez e ainda abrir o porta-malas. Quando se aciona o botão apenas uma vez, é a porta do motorista que se destrava. Apertando-se o botão duas vezes em sequência, abrem-se as demais portas.

Um outro ponto que gosto muito nessa versão do Civic, é a grande quantidade porta-trecos espalhados pelo interior do carro: quatro bolsas laterais (uma em cada porta), um sob o descansa braço, dois junto à alavanca do câmbio (ambos com cobertura corrediça), um onde seria um cinzeiro e dois do lado esquerdo, no painel. O espaço existente sob o descansa braço é bem generoso. Ali cabe uma garrafinha de 500ml de água mineral, um porta-cd, e “n” outras coisas. Se fosse refrigerado seria perfeito!

Conforto

No banco de tras com conforto mesmo apenas dois ocupantes. O pobre terceiro ocupante vai ficar mal acomodado, pois no encosto fica um descansa braço com porta-copos. Em contrapartida, cintos de segurança com três pontos e encosto de cabeça para todos.

O espaço interno é bom.  Quatro adultos viajam com conforto. O porta-malas não é dos mais espaçosos mas atende. Mas convenhamos também né… geralmente, o proprietário desse tipo de automóvel quase não viaja grandes distâncias de carro. No máximo um passeiozinho de duzentos quilômetros no fim de semana. Se a viagem for maior, ele irá de avião certamente. Assim sendo, para um carro urbano e viagens esporádicas o porta-malas atende satisfatoriamente.

linha de cintura alta, janelas estreitas e carroceria baixa: o sedan nasceu com alma esportiva

A mão que afaga é a mesma que apedreja! No caso do Civic, a baixa altura da  carroceria que privilegia a estabilidade e o belo visual esportivo é a mesma que dificulta a entrada e saída dos ocupantes. Eu,  que sou uma pessoa de baixa estatura, já sinto que tenho de fazer um certo contorcionismo para entrar e sair do carro, fico pensando no desconforto de alguém com 1,80m de altura. Essa operação deve ser feita com cuidado para não bater com a cabeça na carroceria.

retrovisores externos com repetidores das luzes de direção.

Na versão LXL o ar-condicionado não é automático nem digital. Notei uma leve piora em relação ao modelo que eu possuía antes. No antigo EX 2004 eu percebia uma gradação da temperatura na medida em que eu girava o termostato. Nesse LXL 2010 a mudança de temperatura parece não ocorrer de forma tão suave.

As saídas do ar não estão posicionadas altas o suficiente, de modo que mesmo quando totalmente dirigidas para cima ainda chega ar gelado em nossas mãos quando estamos com estas no volante. Lendo uma matéria da época do lançamento desse carro, lembro que a Honda fez uma alteração no compressor do ar-condicionado. Eu pude perceber que o sistema é eficiente, mas não é rápido em resfriar todo o habitáculo. Eu tenho a impressão que demora um pouco mais do que no meu antigo Civic para que a cabine atinja uma temperatura agradável. Talvez seja influência da cor da carroceria, que é preta!
De maneira geral, o Civic é bem confortável! Sua suspensão, que é independente nas 4 rodas filtra bem as irregularidades do solo, transmitindo muito pouco as imperfeições para a carroceria. Percebo isso quando passo por asfalto irregular: dá pra sentir a suspensão trabalhando, filtrando as irregularidades. É claro que ele não como um Corolla ou Azera, então alguma coisa chega no carro, mas bem pouco.

 Os pneus que equipam o carro desta matéria são os mesmos que equipam o Civic LXL que está sendo testado pelo site BestCars (http://www.uol.com.br/bestcars)   no quadro “Um mês ao volante”, ou seja, são os Goodyear Excellence, e também posso afirmar: esses pneus são muito ruidosos. Em contrapartida oferecem muito boa estabilidade, transmitindo muita segurança em curvas e frenagens a quem estiver dirigindo esse carro. Não fosse isso, a 80 km/h constantes em quinta marcha, e com o motor sussurrando a pouco mais de 1.500 RPM o silêncio no interior do Civic seria quase absoluto! Exageros a parte, é claro! 

Eu não gosto do sistema utilizado no Civic para ajuste do encosto. O Civic usa uma alavanca, como um Palio Fire, com posições pré-definidas. Seria muito melhor se utilizasse aquele sistema giratório, que permite ajuste milimétrico do encosto. Em contrapartida, o ajuste de altura do banco melhorou em relação à geração anterior. No anterior era um botão giratório, muito antiprático e que ficava pesado na medida em que o banco subia. Agora não.  Agora é uma alavanca. Movimenta-se para cima para erguer o banco, e para descer é só movimentar para baixo.

Desempenho e consumo

Leitores, por favor, peço que me desculpem se nessa matéria eu não conseguir ser totalmente imparcial. É um tanto difícil ser imparcial quando se escreve uma matéria sobre um carro pelo qual se é apaixonado. Mas é claro que isso não me deixa cego aos defeitos do Civic, de jeito nenhum. Mesmo gostando muito desse carro, sou muito crítico, bem como com todos os carros que tenho a oportunidade de avaliar.

Vamos falar sobre o motor!  Este modelo utiliza um motor de 1.799 cc, ou seja, é um carro 1.8. O tipo de motor é um SOHC i-VTEC 16V. Tá… e daí? o que quer dizer esse tanto de letra? Bom, SOHC é a sigla (já traduzida para o português) para Comando de válvulas simples no cabeçote. O 16V acho que vocês já sabem, quer dizer 4 válvulas para cada cilindro. Lembram do Palio 16V? Do Gol 16V? Isso dá mais potência ao carro. E esse tal de VTEC? Bom, VTEC é um sistema utilizado nos carros Honda, que nada mais é do que um comando de válvulas variável com controle eletrônico da variação dos tempos e levantamento das válvulas. Esse sistema permite conciliar potência, torque e consumo de combustível tanto em baixas rotações quanto em altas. Via de regra carros 16V tendem a ter pouca potência e torque em baixas rotações. Lembram dos carros “mil” 16V? Para que a gente pudesse ter força tinha de levar o motor a altos giros, geralmente eles só respondiam bem por volta de 4 mil a 4.500 RPM. Abaixo disso eram muito lerdos.

Esse sistema da Honda, o VTEC, contorna esse problema. Como ele tem um comando de válvulas variável, mesmo em baixa rotação o carro não é lerdo, como seria um 16V normal; e em altas rotações o carro fica ainda mais esperto.

O Civic LXL desenvolve 140 cv quando usa o etanol como combustível e 17,7 kgfm de torque a 6.200/4.300 rpm respectivamente. Com gasolina esses valores caem para 138 cv a 6.200 rpm e 17,5 kgfm a 5.000 rpm; não é uma perda expressiva nem em potência nem em torque.  O  Peugeot 408 consegue valores maiores quando utiliza etanol como combustível. Atinge 151 cv com etanol e 143 com gasolina. Em relação ao Civic e usando o etanol como combustível a diferença em favor do 408  é brutal: são 11 cv a mais. Mas quando o que alimenta o motor é o derivado do petróleo, essa diferença cai para apenas 5 cv em favor do carro francês.

comando de abertura da tampa para o reservatório da partida a frio.

Na prática eu senti que o Civic responde melhor quando se utiliza o etanol como combustível. Até o ronco do motor é diferente. Ele fica mais esperto ao toque do acelerador. É claro que ele cobra o preço no consumo. É uma pena que aqui em Brasília a diferença de preço entre gasolina e etanol não seja vantajosa para o derivado da cana. Mas como eu queria medir o consumo e avaliar o desempenho, ha duas semanas estou com etanol no tanque.

E por falar nisso, como estamos no inverno, época de temperaturas baixas principalmente pela manhã, como é a partida a frio do Civic? Até agora, perfeita. Nessas duas semanas, em um dia apenas a partida foi um pouco mais difícil, necessitando de mais de uma girada de chave. Interessante é que eu não ouvi o característico barulho do motorzinho injetando gasolina no motor. Se valesse a pena aqui no Distrito Federal, só usaria o álcool. Só para constar, aqui em Brasília, no inverno, a temperatura pela manhã está na casa dos 15 graus chegando aos 10 em manhãs mais frias.

adaptador bluetooth para comunicação com a central de injeção eletrônica

O Civic não tem computador de bordo, como já foi falado. Mas eu encontrei um aplicativo para Android que consegue cobrir essa lacuna.  Mas para isso é preciso um adaptador OBD2, que você conecta na porta de diagnósticos da central de injeção eletrônica do carro e ter instalado em seu celular (i-Phone ou Android) o aplicativo Torque.

Esse aplicativo é sensacional. Ele tem várias funcionalidades. Mede consumo instantâneo, consumo médio, dá a autonomia aproximada do combustível que está no tanque, mede a distância percorrida, tempo, velocidade média no percurso e vários outros dados.

Sempre que lia alguma matéria sobre o New Civic, sempre via algo de negativo em relação ao seu consumo. Beberrão era o adjetivo que eu via com mais frequência. Até fiquei um pouco amedrontado quando comprei esse carro. Mas para minha surpresa, seu consumo não tem sido dos piores.

No trânsito urbano e usando a gasolina como combustível a média geral é 9,42 km/litro. Considero razoável visto que utilizo o ar-condicionado em 90% do tempo, e meu trajeto diário não favorece o consumo, pois tem vários quebra-molas e algumas paradas que exigem a utilização constante de primeira e segunda marchas.  Nesse período, a melhor média obtida foi de 9,74 km/litro, e a pior ficou em 8,87 km/litro.

Uma das telas do aplicativo Torque Pro, para Android, Consumo médio em Km/l

Em estrada não tive do que me queixar. A média geral ficou em 12,30 km/litro, sendo a melhor média de 13,48 km/l e a pior em 10,63 km/litro com gasolina. Ainda não tive a oportunidade de testá-lo em estrada usando o etanol.

Já com o derivado da cana no tanque, a primeira média obtida foi de 7,6 km/litro. Não é um número maravilhoso. Mas apenas para efeito de comparação, eu tive um Palio Fire 2008 Flex, que com álcool, na cidade, não fazia mais do que 8,5 km/l. Considerando que trata-se de um Civic 1.8 com 140 cv e com câmbio automático, é um número que julgo razoável. Me lembro de carros da década de 80, como o Monza a álcool, também 1.8 mas com bem menos potência e sem ar-condicionado, que faziam essa média ou talvez até menos.

Aqui em Brasília não compensa, mas no estado de São Paulo, onde o etanol é bem mais barato, talvez valha a pena rodar com esse combustível.

Velocidade máxima que esse carro alcança eu não sei. Como não sou piloto de testes e nem tenho um lugar apropriado para isso, não dá para contar com a sorte em rodovias, ainda mais as brasileiras. Em duas viagens que fiz com esse carro, no máximo eu cheguei a 150, 160 km/h para ultrapassagens, logo retornando à velocidade de cruzeiro de 120 km/h.

Aliás, a velocidade é um ponto que quem estiver dirigindo esse carro tem de tomar cuidado, principalmente em estrada, pois  não nos damos conta do aumento dela. O câmbio tem relações longas, o motor gira baixo. Quando menos se vê, já se está a 120 por hora, e sem muita pressão no acelerador. É um carro que roda tranquilamente a 160 km/h sem muito esforço, e ainda consegue transmitir segurança para quem está dentro. Motoristas, cuidado!

Considerações finais

Para quem gosta de sedans com apelo esportivo, e não precisa de um porta-malas imenso, o Civic é o carro.

Pode não ser tão confortável e silencioso como o Corolla, mas é bem mais divertido e gostoso de dirigir. Além é claro, de ser bem mais bonito.

A manutenção do Civic é relativamente barata, a começar pelo óleo. Ele usa óleo mineral 10W30, da Honda. Não custa nem 20 reais o litro, enquanto a maioria dos concorrentes utiliza óleo 100% sintético que beira os 30 reais o litro. O cárter é pequeno: são 3,5 litros já com o filtro de óleo.  Como ele não tem correia dentada e sim corrente de comando, um item a menos para substituir.

Mas se você quiser fazer todas as revisões em autorizada, se prepare. Algumas revisões, especialmente a de 60 e 80 mil são bem salgadas, chegando fácil, fácil em R$ 1.200,00.

De resto é o que você já ouviu falar de Honda. É um carro robusto, que se bem manutenido não vai te dar dor de cabeça. Siga o plano de manutenção que está no manual e não terá problema. Meu Civic anterior já estava com 190 mil km rodados quando o vendi; e ainda assim, em perfeito estado de funcionamento, sem baixar nada de óleo.

O custo do seguro é outro ponto que pesa a favor do Civic.  A depender do seu perfil, pode custar no máximo R$ 1.300,00. A franquia é que não é muito barata, pois passa de 2 mil reais.

O Civic é um excelente carro. Apesar de custar caro no Brasil, vale a pena.  Aqui eu peço licença à Volkswagen para usar o seu slogan: “Civic: você conhece, você confia!”

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Novo Nissan Sentra

Novo Sentra 2014 – bem mais bonito do que a versão anterior.

A imprensa especializada brasileira anda toda toda com a apresentação do novo Sentra. Mas já viu né…. aqui no Brasil, botou uma roupinha diferente  já é motivo para elogios. Por isso eu fui atras de uma publicação, digamos assim, mais isenta. A matéria a seguir, em parte é uma tradução adaptada de uma matéria publicada no jornal The New York Times. Não resistindo a essa novidade e sendo um apaixonado por carros, aproveitei e fui eu mesmo conhecer de perto o Novo Sentra.

O trecho a  seguir é uma adaptação da matéria publicada no NYT.

“Se o redesenhado Sentra 2014 atingiu seu alvo, em que exatamente a Nissan estava mirando?

O carro faz tudo que seus concorrentes na classe dos sedans compactos fazem, mas não faz nada de melhor do que nenhum deles.

Tem estilo para imitar seu irmão maior, o novo Altima, de linhas curvas, mas de alguma maneira consegue parecer mais elegante.

E enquanto parece construído de forma robusta, não há superfície que o motorista toque que o faça sentir como se estivesse tocando algo de qualidade superior. O novo Sentra está, simplesmente, na méda.

Talvez estar na média fosse suficiente quando o Sentra encarava somente a sem graça concorrência americana e quando os carros coreanos eram feios e a única concorrência de fato eram Corolla e o excelente Civic.

Hoje, entretanto, a coisa mudou de figura. O Focus, da Ford, é incrível, a Chevrolet subiu um degrau com o Cruze e a Hyundai e a Kia têm desenvolvido carros compactos confiáveis com garantias extendidas e preços interessantes.

E se você realmente quer um carro pequeno que anda bem, dispensa Honda e Toyota, vá em frente e fique com Mazda 3.”

Bom, agora deixando de lado o texto do The New York Times e colocando minhas próprias observações, no geral eu gostei do novo Sentra.

Muitos podem dizer que ele está muito “oriental”, ou que o Sentra está muito parecido com o Versa.

Bom, eu realmente acho que ele está parecido com o irmão mais barato Versa! Mas isso parece ser uma tendência de todas as marcas; é a chamada identidade de marca. Veja os Volkswagens atuais: cara de um, farois do outro. Aos olhos de um leigo, ao olhar pelo retrovisor e identificar aqueles faróis característicos, não se saberá se o que está atrás é um Voyage ou um Jetta.  A Ford vai no mesmo caminho; Hyundai nem se fala. Do Hb20 ao Azera são todos muito parecidos. Então, por favor, não vamos crucificar a Nissan.

Minhas impressões….

Eu não resisti, e fui a uma concessionária Nissan aqui em Brasília conhecer de perto o novo Sentra, e de quebra o Altima. Pelas fotos que vi os dois eram muito parecidos realmente.

De perto não é bem assim. Eles são parecidos? São sim, e muito! Mas não idênticos. O Altima é mais ‘parrudo’, mais encorpado. Vamos dizer assim…. o Sentra está para o Civic, assim como o Altima está para o Fusion.

Eu não conhecia de perto o Sentra anterior, salvo externamente. E confesso, aquele design “a la Cadilac” nunca me convenceu. Não vou entrar no mérito das qualidades mecânicas do modelo; restrinjo-me tão somente à sua aparência.

Opiniões pessoais a parte, o novo Sentra está muito bonito sim. Tanto externamente quanto internamente. Está maior do que o modelo anterior, e isso já serviu para chamar minha atenção. Particularmente gosto de carros grandes.  Ele está maior do que o Civic, por exemplo, ainda que por questões de poucos centímetros.

Diferentemente do Civic de sétima geração (aquele fabricado aqui de 2006 a 2011), o novo Sentra é bonito mas não é aquele carro que te faz virar o pescoço quando passa. É discreto.

A mim, o visual externo agradou muito, apesar de lembrar muito o carro mais barato da marca, o Versa.

Mas por dentro o carro é muito confortável e agradável. A versão que eu avaliei era um SL 2.0 de 140 cv, top de linha.  Eu me considero um cara detalhista quando entro num carro novo. Olho de tudo, do painel ao forro de porta. E nesse aspecto concordo em parte com a avaliação feita pelo The New York Times. O novo Sentra é bacana, mas não oferece nada além do que os seus concorrentes – até mesmo no Brasil – oferecem.

Como todo carro moderno, o painel é todo plástico.  O que difere, é que a qualidade é bem melhor do que você encontra no painel de um Gol, por exemplo.  Apesar de que o vendedor que me acompanhava no test drive o tempo todo me chamasse a atenção para o plástico emborrachado do painel, honestamente, não senti nda de emborrachado no painel daquele carro. Apenas um plástico mais agradável ao toque, sem ser excepcional.

Ah…. o Sentra é espaçoso! O vendedor que me acompanhou não é um cara baixinho, eu diria! Ele tem 1,85m. Pedi a ele que sentasse no banco do motorista e ajustasse o banco como se ele fosse dirigir o veículo. Feito isso, pedi ao rapaz que se sentasse no banco de trás para que eu pudesse avaliar o espaço restante para as pernas. Surpresa…. o cara tinha espaço nas pernas e nao estava todo encolhido. Comigo dirigindo então, nem se fala…. O Oscar Schimidt poderia se sentar atrás  e ainda ficar confortável. Bem, exageros a parte, esse teste empírico me mostrou que o Sentra é sim dotado de um bom espaço interno, e que os seus 2.700 mm de distância entre-eixos – a mesma medida que o Civic – ajudam no conforto interno.

A versão top do Sentra é bem mais equipada que o Civic. O Sentra tem 6 air bags. De resto, de fato não é muito diferente do que seus concorrentes, mesmo no Brasil. Por exemplo, ele vem com câmera de ré, bancos em couro, ar-condicionado dual zone,  encostos traseiros rebatíveis, porta-copos no banco de tras, computador de bordo com as funções habituais – e quero destacar aqui que ele indica o consumo em km/l e não litros/100 km como os carros da Peugeot e Citroen.

Bom, para quem não está acostumado, toda novidade chama a atenção. E comigo não foi diferente o caso da “chave”  keyless; quero dizer… a chave que não é chave, e sim um simples chaveiro.  Muito prático. Basta você estar com o chaveiro no bolso, se aproximar do carro e pronto…. ele detecta a presença da chave e destrava a porta. Um vez dentro do carro é só apertar o botão “Start/Stop”  que o motor entra em funcionamento. E ele é silencioso.

Os comandos de vidros, travas e retrovisores não estão muito diferentes do que eu encontro no meu carro, que é um Civic LXL 2010.  Eu não gostei no Sentra, assim como não gosto no meu carro, do sistema utilizado para ajuste do encosto do banco. É por alavanca ao invés de roldanas. Para ajustar o encosto você precisa colocar pressão no encosto ou aliviá-la para que este se movimente e você possa encontrar a posição ideal. Convenhamos…. não é muito prático.

Uma vez dada a partida o motor se apresenta com um funcionamento suave. Apesar de ser a  versão top senti falta das aletas para troca de marchas no volante.

Até então eu nunca havia dirigido um carro com câmbio CVT. É muito gostoso, e estranho ao mesmo tempo. Como explicar….. a rotação permanece constante quase a maior parte do tempo, não apresenta aquele ‘barulho’ característico de troca de marcha. Você observa que a rotação cai ou cresce (pelo ponteiro do conta-giros) mas  som não altera. E o melhor, não tem trancos. Bem diferente do meu carro, que mesmo automático e suave, apresenta alguns pequenos trancos. Muito bom esse câmbio CVT, que diga-se de passagem é um dos responsáveis pela excelente marca de consumo obtida por esse veículo.

Agora, saber se o Sentra será uma boa opção de mercado, só o tempo dirá. Segundo informações do vendedor, a Nissan também está com esquema de revisões a preços fixos, o que me animou! Confiei na palavra do vendedor, e este me disse que uma das revisões mais caras do Sentra é a de 60 ou 80 mil km que fica não mais do que 600 reais. Bem animador, é verdade. A revisão de 80 mil km do meu carro, por exemplo, fica em mais de um mil e duzentos reais.

Mas no caso do Sentra tem-se um ponto desfavorável: ele é importado. Do México, mas é. O Civic e Corolla, por exemplo, são nacionais. No que isso interfere? Preço das peças de reposição e a dificuldade em encontrá-las no mercado paralelo.

Bom, se você que me lê agora estiver pensando em trocar de carro, e se o Sentra for uma opção para você, eu sugiro que faça o seguinte: faça uma planilha com os carros candidatos e algumas peças que costumam ser trocadas com mais frequência, como por exemplo pastilhas de freio dianteiras, palhetas do limpador de para-brisa, amortecedores, filtros de ar, de cabine (do ar-condicionado), de óleo e de combustível, e eventualmente um item ou outro da suspensão como terminais de direção, pivôs, bielas e bieletas. E faça um comparativo do preço dessas peças em autorizada e no mercado paralelo. Durante a garantia do veículo você não terá como fugir da autorizada, mas vencida a garantia, muitos proprietários migram para o mercado paralelo e também para um mecânico “de confiança”.

Deixando de lado a questão de mercado – na qual eu não sou especialista – eu diria que o novo Sentra é sim um bom concorrente ao Civic e ao Corolla. Basta ver que a versão top do Sentra custa o mesmo que a versão intermediária do Civic, a LXR 2.0. Ah, e a versão top do Sentra trás seis airbags, enquanto o Civic trás apenas 2.

Em termos de mercado, é fato que o Sentra antigo nunca despertou paixões, e seu preço no mercado de usados deixava seus donos desacorçoados.

Vejam, segundo a tabela FIPE, um Sentra 2.0 SL ano/modelo 2012 está cotado em R$ 51.391,00. Já um Civic EXS (também versão top do modelo) mesmo ano/modelo 2012 está cotado em R$68.693,00. Uma diferença considerável não é mesmo? São R$ 17.300,00 reais, dinheiro suficiente para você comprar um popular seminovo bem conservado. E a coisa fica um pouquinho pior quando colocamos o Elantra na parada. Segundo a FIPE, um Elantra GLS, também automático, mesmo ano/modelo 2012 sai por R$ 71.320,00. E olha que tirando o visual arrojado do do Elantra, ele nem é tão melhor carro assim do que Sentra e Civic. Até porque, os primeiros modelos do Elantra ofereciam freios traseiros a tambor.

E se você fizer uma busca em sites especializados como Webmotors, Vrum, etc, verá que o Sentra é oferecido por um bom preço se comparado aos seus concorrentes diretos.

Agora vamos ver como esse modelo renovado se sai no mercado. Ele está chegando agora! Vamos ver nos próximos 12 meses seu desempenho no mercado de seminovos. Eu acho que ele tem bons predicados para se dar bem; apesar de que aquele visual que lembra muito o irmão mais barato – Versa  – pode não agradar seus compradores que esperam por um pouco mais de luxo e sofisticação. Mas convenhamos né…. só aqui no Brasil esperamos por luxo e sofisticação em modelos como Sentra, Civic, Corolla e Jetta. Vale lembrar que lá nos Estados Unidos esses modelos são carros de entrada de linha, comprados em sua maioria por universitários que querem um  carro barato, seguro e relativamente confortável.

Uma que eu não tenho dinheiro pra comprar carro zero; mas mesmo que tivesse, por uma questão de protesto, eu não compraria um carro zero hoje em dia. A menos que eu tivesse a certeza de que ficaria com esse carro pelos próximos sete ou oito anos. Carro zero no Brasil é um preço absurdo. Eu prefiro esperar o carro chegar no mercado de usados e aí tentar “garimpar” um modelo que me agrade. E tenho certeza que dentro de um ano ou um ano e meio, eu consigo comprar um Nissan Sentra 2.0 SL top,  por um preço bem mais camarada. Se bem que para o meu gosto pessoal, eu prefiro o irmão maior, o Altima. Esse sim, um senhor carro!

Mas é o seguinte: se você não se preocupa com mercado e quer um carro excelente em termos de mecânica, conforto e segurança, pense seriamente em considerar o Sentra como seu próximo carro.

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Nos EUA, Hyundai apresenta o i30 com novo motor 2.0

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Notícia divulgada no site da Uol, o CarSale, apresenta o i30 equipado com motor 2.0 de 175 cv.

Este novo motor vem para substituir o anterior, de 1.8 litro de 150 cv.

Agora me pergunto, se lá nos EUA ele já tinha um bom motor, por que aqui no Brasil foi lançado com esse motorzinho sem graça de 122 cv?

E a Hyundai ainda reclama que seu novo i30 ainda não repetiu o sucesso de vendas do modelo anterior. E se continuar desse jeito, com esse motorzinho e com preço elevado, nunca vai repetir o sucesso do modelo anterior, apesar de ter um desenho lindíssimo, na minha modesta opinião.
Acho que está mais do que na hora de a Hyundai rever sua política de preços. O Elantra não é tão bom assim para justificar o preço nas alturas praticado aqui.

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Estacionamento é sempre um problema

Uma das coisas que me tiram do sério são essas pessoas que estacionam seus carros de qualquer jeito, invadindo o espaço alheio e dificultando a vida do outro motorista. Vejam o Palio preto e a Saveiro branca. Os motoristas calcularam tão bem e conseguiram colocar seus carros com as rodas exatamente em cima da faixa divisória.

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